Em sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (7), o senador e candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL) “passou pano” para o presidente nacional de seu partido, Valdemar Costa Neto, ao falar sobre o seu tema predileto, corrupção.
O ex-juiz da Operação Lava Jato defendeu o cacique político, que foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Ação Penal 470, o chamado Mensalão. “Em relação ao Valdemar, presidente do PL, os erros que ele cometeu no passado ele já pagou, inclusive cumpriu a sua pena naquele período, e se encontra evidentemente em outra situação no atual momento˜, pontuou.
Questionado sobre as recentes investigações da Polícia Federal (PF) contra Valdemar, alvo de operação por suspeita de interferir na destinação de emendas parlamentares, Moro minimizou o caso. “Eu vi essa decisão [do STF] com um certo espanto, porque na própria decisão não se afirma que houve qualquer espécie de desvio de valores e emendas parlamentares.”
Aposta no antipetismo
Na mesma sabatina, Moro, que pediu demissão do Ministério da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, acusando o então presidente de interferência na corporação, afirmou ver “com preocupação a questão da autonomia da Polícia Federal durante o governo Lula”.
“Tenho visto, assistindo um pouco mais de longe, esses dobramentos das investigações do Supremo Tribunal Federal, e gera muita intranquilidade, por exemplo, quando a Cúpula da Polícia Federal, não vamos generalizar, quer fazer uma disputa com o ministro André Mendonça”, disse.
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Ao ser confrontado sobre o risco de Flávio repetir as interferências do pai na Polícia Federal, Moro se esquivou, classificando a hipótese como um “prognóstico sobre um futuro que ainda não se realizou”. Sobre o rompimento com Jair Bolsonaro no passado, ele tentou justificar a aliança atual com base no antipetismo.
“O que eu disse ali no passado, eu não retiro as minhas palavras. Nós tivemos uma divergência séria que levou que eu saísse ao governo. Mas a partir de 2022, nós iniciamos essa reaproximação porque existia um objetivo maior, que era a derrota do projeto de poder do Lula e do PT”, relatou. “Eu tenho certeza que nós vamos trabalhar para virar essa página e para eleger o Flávio Bolsonaro como presidente da República. Teremos uma relação ótima”, pontuou Moro.
Moro e o governo Bolsonaro
O ex-magistrado saiu do governo Bolsonaro em 24 de abril de 2020, horas depois de o presidente publicar no Diário Oficial da União (DOU) a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Mauricio Valeixo. “Não é questão do nome de quem vai assumir, o problema dessa troca é a violação de uma promessa de carta branca [que me foi feita]; uma clara interferência política na Policia Federal e uma substituição sem motivo”, bradou na ocasião.
Moro seguiu falando sobre seu ex-chefe na coletiva em que anunciou sua saída. “[Bolsonaro quer uma pessoa para a qual] pudesse ligar, colher informações, que pudesse colher relatórios de inteligência, seja o diretor-geral, seja o superintendente, e realmente não é o papel da PF prestar esse tipo de informações”, afirmou Moro.
“Ele [Bolsonaro] assumiu um compromisso comigo que seria escolha técnica [para a direção da PF], eu faria essa escolha. [O nome] poderia ser alterado desde que tivesse uma causa consistente”, disse ainda Sergio Moro ao anunciar sua saída. “Não tendo [justificativa] e percebendo essa interferência política é algo que não posso concordar.”
“Já pagou pelos erros”: Sergio Moro passa pano para Valdemar Costa Neto em sabatina
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