A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) denunciou ter recebido nova ameaça de morte e estupro via e-mail, a terceira ocorrência nos últimos meses.
A mensagem expunha endereços e dados pessoais da parlamentar e de seus familiares, incluindo os filhos, e continha ameaças explícitas contra as crianças com menções a “ódio racial”.
Após tornar o caso público, Talíria acionou Polícia Federal (PF), Polícia Legislativa, Ministério Público Federal (MPF), Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cobrando responsabilização criminal dos autores e medidas efetivas contra a violência política de gênero.
A mensagem recebida por Talíria Petrone desta vez foi além das ameaças anteriores: além de prometer morte e estupro à deputada, o autor divulgou endereços e dados pessoais dela e de seus familiares, com ameaças direcionadas especificamente aos filhos da parlamentar.
No texto, o remetente escreveu que as crianças “são apenas mais duas vítimas do meu ódio racial” e descreveu cenas de violência extrema contra elas.
O e-mail ainda reunia, segundo a própria deputada, “ofensas misóginas e ataques à sua atuação política, especialmente por sua defesa dos direitos das mulheres e da população negra”.
A combinação de exposição de dados pessoais com ameaças a crianças marca uma escalada em relação às ocorrências anteriores, transformando o ataque numa tentativa de atingir não apenas a figura pública, mas a vida privada e a segurança da família.
A expectativa da parlamentar é que a autoria da mensagem seja identificada e que os responsáveis respondam criminalmente. O acionamento simultâneo de cinco instâncias diferentes reflete tanto a gravidade do conteúdo quanto a frustração acumulada com a falta de respostas nos casos anteriores.
Contexto e impacto
Para Talíria, o episódio reforça a urgência de medidas mais efetivas de combate à violência política de gênero e de proteção a mulheres que ocupam espaços de poder. A deputada foi direta ao descrever o que significa receber esse tipo de mensagem no cotidiano:
“Imagina acordar e ler uma ameaça de alguém matar e estuprar sua filha de 6 anos? Imagina ver endereços que frequenta divulgados pelo criminoso? Já são vários inquéritos abertos e nenhuma resposta. É impressionante o ódio que eles têm da possibilidade de as mulheres ocuparem o poder”, desabafou.
A fala expõe uma contradição concreta: a parlamentar aciona as autoridades repetidamente, os inquéritos se acumulam e nenhuma responsabilização chega. Esse ciclo de denúncia sem resposta é, ele próprio, parte do problema que Talíria nomeia, o ambiente de impunidade que sustenta a violência política de gênero e encoraja novas agressões contra mulheres na vida pública.
Talíria Petrone denuncia nova ameaça de morte e ataque a filhos
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