O chanceler Mauro Vieira condicionou a normalização das relações entre Brasil e Argentina ao fim dos ataques do governo Javier Milei contra Lula e instituições brasileiras. Em entrevista publicada neste domingo (9) pelo jornal argentino Clarín, Vieira afirmou que Buenos Aires precisa mudar de postura para que os dois países retomem plenamente o diálogo.
“A Argentina precisa valorizar a relação com o Brasil da mesma forma que o Brasil valoriza a relação com a Argentina”, afirmou o ministro. Segundo ele, é necessário “parar imediatamente com esse tipo de agressão”.
A crise levou Brasília a reduzir sua representação diplomática em Buenos Aires. O embaixador Julio Bitelli foi retirado do posto, que passou a ser conduzido por um encarregado de negócios.
Apesar do desgaste, Vieira ressaltou que a relação entre os dois países é estratégica e não pode ficar subordinada aos governos de ocasião. O Brasil é um dos principais parceiros econômicos da Argentina, e as duas nações construíram ao longo de décadas mecanismos de integração e cooperação.
O retorno de Bitelli, porém, depende de um gesto de Buenos Aires. “É preciso um gesto: o de parar as agressões”, afirmou Vieira ao jornal argentino.
O chanceler também rejeitou como “totalmente falsa” a acusação de Milei de que o governo brasileiro teria financiado uma campanha internacional contra a Argentina.
Na mesma entrevista, Vieira abordou a crise com os Estados Unidos. A tensão aumentou depois que Washington revogou o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio à disputa diplomática sobre a indicação do novo representante norte-americano em Brasília.
Vieira criticou ainda o uso de sanções e pressões econômicas como instrumento político. Para o chanceler, negociação e diálogo são caminhos mais eficazes para resolver divergências entre países.
Mauro Vieira dá recado a Milei: Argentina precisa “parar imediatamente” com agressões
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