O senador Sergio Moro (PL), líder nas pesquisas para o governo do Paraná, não comparou ao primeiro debate entre os candidatos ao cargo, realizado pela Band na noite de domingo (8/9).
Sua equipe participou das reuniões preparatórias e assinou as regras do confronto, mas Moro anunciou a desistência algumas horas antes do programa, alegando que seria alvo de um “jogo combinado” entre adversários. No estúdio, Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) reuniram o espaço para atacar a postura do senador ausente.
Moro falta a debate e vira alvo de críticas
O púlpito reservado a Sergio Moro ficou vazio durante todo o debate. Representantes de sua campanha participaram das reuniões com a Band e aceitaram as regras do confronto, o que tornou a ausência ainda mais notada pelos presentes e pela emissora.
Logo na abertura do programa, Requião Filho foi direto ao ponto. “Palavra dada, palavra cumprida. Parece que o mote, nessa campanha, de alguns grupos políticos é dar a palavra e voltar atrás. Tinha gente que estaria aqui no debate e não veio”, disse o candidato do PDT. No segundo bloco, o Tom ficou mais áspero: “Eu tinha uma pergunta para o Sergio, o fujão, mas ele não está aqui.”
Sandro Alex (PSD) também não poupou o adversário. Ao ser informado pela mediadora Alessandra Consoli de que, com a ausência de Moro, só poderia dirigir perguntas a Requião Filho, o candidato do PSD respondeu: “Infelizmente, mas eu represento aqui a direita. E, para ser direita, tem que ter coragem. Para ser governador do Paraná, não pode ser covarde. E eu não sou covarde, tenho coerência e me mantenho firme.” A própria mediadora, ao explicar as novas regras ao candidato, comentou entre risos: “O senhor só pode perguntar para o Requião Filho porque o Sergio Moro não veio.”
Acusações de ‘jogo combinado’ e falta de provas
Horas antes do debate, Moro publicou um vídeo nas redes sociais para justificar sua decisão. No vídeo, negou ter medo de debater e afirmou que preferia “deixar PT e PSD se enfrentarem”.
O senador acusou Requião Filho e Sandro Alex de planejarem ataques coordenados contra sua candidatura, sustentando que PT e PSD se unissem para desgastá-lo no confronto, já que o PT apoia uma candidatura do pedetista.
Moro, porém, não apresentou nenhuma prova de que houvesse qualquer acordo entre os dois adversários. A alegação de “jogo combinado”, lançada sem evidências, funcionou como justificativa pública para a ausência, mas foi tratada pelos próprios rivais como pretexto para evitar o confronto direto, especialmente por parte de quem lidera as pesquisas de intenção de voto.
Impacto na dinâmica do debate
O debate da Band estava previsto para reunir três candidatos e abriu uma série de confrontos televisivos pela disputa ao governo do Paraná. Com apenas dois participantes, a emissora precisou adaptar o formato: a mediadora Alessandra Consoli explicou publicamente as restrições impostas pela ausência de Moro, alterando a lógica de perguntas cruzadas que estrutura esse tipo de confronto.
O efeito prático foi que boa parte do debate girou em torno de quem não estava lá . Tanto Sandro Alex quanto Requião Filho voltou repetidas vezes à ausência do senador, transformando o espaço que seria de debate programático em palanque para questionar a postura de Moro. O candidato do PL, ao fugir do confronto, acabou se tornando o personagem central da noite, ainda que de longe.
‘Covarde’ e ‘fujão’: Moro não comparece a debate e é criticado por adversários
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