Fernando Haddad (PT) partiu para cima de Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante o primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, promovido pela Band neste domingo (9), e protagonizou dois dos momentos mais contundentes da noite.
Em um dos momentos de destaque, o petista enquadrou o governador ao tratar do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil e criticou duramente o bolsonarismo, seu grupo político que, em vez de defender o país, decidiu apoiar Donald Trump pela ofensiva comercial.
“Infelizmente, o que se viu no nosso país é um grupo político que resolveu apoiar o agressor, o que é uma coisa inadmissível, seja numa guerra militar, seja numa guerra comercial”, disparou Haddad.
O candidato lembrou que a reação brasileira destoou da registrada em outros países atingidos pelas medidas dos Estados Unidos.
“Isso não aconteceu em nenhum outro lugar do mundo. Todos os países que foram agredidos, e foram dezenas de países agredidos pelos Estados Unidos, inclusive os seus vizinhos, Canadá e México, se uniram em torno da causa comum, defender a soberania nacional e não permitir que aquele que se apresenta como um inimigo do Brasil explorasse brechas”, afirmou.
“Tem que colocar o boné do Brasil”
Haddad então direcionou o recado a Tarcísio e cobrou uma postura de defesa dos interesses nacionais diante da agressão comercial.
“O que um governador tem que fazer é colocar o boné certo na cabeça, o boné do Brasil, colocar o chapéu de brasileiro e fortalecer o poder central, a diplomacia brasileira, para enfrentar uma agressão inédita e injusta.”
O petista contrapôs essa postura às medidas adotadas pelo governo federal para proteger empresas e buscar novos destinos para as exportações brasileiras.
“O que nós fizemos no plano federal foi histórico, o Plano Brasil Soberano, para dar sustentação às empresas e abrir mercados para além dos Estados Unidos. Foram 600 mercados abertos”, disse.
Haddad também destacou o desempenho das exportações mesmo diante do tarifaço.
“E ajudar a abrir mercados, ajudar o Brasil a deslocar as suas exportações como o governo atual está fazendo. Nós estamos batendo recordes de exportação como nunca tivemos, mesmo com o tarifaço. Mas é preciso união nacional e senso de responsabilidade.”
Assista:
https://x.com/lindberghfarias/status/2086611380778492045
Tarcísio tenta atacar Haddad e recebe resposta
Outro momento quente do debate ocorreu quando Tarcísio tentou atingir Haddad citando uma aparição pública do petista ao lado de uma mulher que o governador afirmou ser ligada ao tráfico de drogas.
“Nós temos uma cena ruim, que é a cena de membros do poder, inclusive o doutor Fernando Haddad, no palco com a traficante que comandava o tráfico na favela […] depois da operação. Nós temos coragem para resolver o problema”, disse Tarcísio.
Haddad não deixou a acusação passar.
“Ô, Tarcísio, que deselegância, rapaz. Você acha que eu vou saber quem é do tráfico?”, rebateu.
Na sequência, o petista virou o ataque contra o próprio governador.
“Se você sabia que ela era uma traficante, por que você não foi lá prender? Eu não sabia”, respondeu.
Veja vídeo:
https://x.com/JefinhoMenes/status/2086608604434452724
Haddad mira privatizações de Tarcísio
O tarifaço e a segurança pública não foram os únicos temas em que Haddad colocou Tarcísio na defensiva. O candidato do PT também centrou fogo na política de privatizações do governo paulista.
Haddad afirmou que uma “onda privatista” tomou conta de São Paulo e citou a venda da Sabesp, os pedágios no modelo free flow, os problemas nos trens da CPTM e a entrega de outros equipamentos e serviços públicos à iniciativa privada.
O petista ressaltou que não é contrário à participação de empresas privadas e lembrou ter participado da elaboração da lei das Parcerias Público-Privadas (PPPs) quando atuava no Ministério da Fazenda.
A crítica, segundo ele, é à transformação das privatizações em política generalizada pelo governo Tarcísio.
Haddad também questionou valores pagos a concessionárias de rodovias na revisão de contratos e citou apontamentos dos tribunais de contas sobre concessões feitas pelo governo paulista.
Educação também vira alvo
Na educação, Haddad voltou a atacar os resultados da gestão de Tarcísio.
Segundo os números apresentados pelo petista durante o debate, São Paulo passou da terceira para a décima posição em um indicador de qualidade do ensino médio.
“É grave o que está acontecendo com a educação de São Paulo”, afirmou.
Haddad também disse que 61% das crianças paulistas estão alfabetizadas na idade considerada adequada, enquanto a média nacional seria de 66%.
O candidato ainda criticou a prioridade dada pelo governo estadual a slides e plataformas digitais em detrimento dos livros didáticos e da valorização dos professores.
E apontou uma contradição: segundo Haddad, um terço das escolas estaduais não dispõe de conexão de banda larga suficiente para utilizar adequadamente as próprias ferramentas digitais adotadas pela gestão Tarcísio.
Haddad expõe papel de Tarcísio no tarifaço dos EUA e dá resposta avassaladora sobre combate ao tráfico
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