Por que o diretor da Quaest acha quase impossível a eleição presidencial terminar no 1º turno

Por que o diretor da Quaest acha quase impossível a eleição presidencial terminar no 1º turno
Lula e Flávio Bolsonaro - Fotos: Ricardo Stuckert PR/Carlos Moura Agência Senado

O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, avaliou que a possibilidade de a eleição presidencial de 2026 ser definida ainda no primeiro turno é “bastante baixa”, apesar da concentração das intenções de voto nos dois principais candidatos. Em análise feita à GloboNews nesta quarta-feira (23), Nunes afirmou que o cenário dependeria de duas condições que, segundo ele, não aparecem nos dados atuais: o desaparecimento das candidaturas alternativas e a migração quase total desses eleitores para apenas um dos polos da disputa.
A avaliação foi feita após a divulgação da última pesquisa Quaest, que mostrou Lula e Flávio Bolsonaro concentrando a maior parte das intenções de voto, enquanto nomes da chamada terceira via aparecem com percentuais menores. Para Nunes, porém, a existência de candidatos alternativos ainda representa um fator relevante para impedir uma definição antecipada.
“Para a eleição terminar no primeiro turno, para qualquer um dos dois nomes, a gente teria que ver desaparecer as alternativas à polarização”, afirmou o diretor da Quaest. Segundo ele, seria necessário que candidaturas como as de Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ciro Gomes chegassem “quase a zero”, algo para o qual, em sua avaliação, não há evidência na pesquisa.
Um dos argumentos apresentados por Felipe Nunes é que parte dos eleitores que hoje declaram voto em candidatos fora da polarização já teria uma preferência consolidada e não necessariamente migraria para Lula ou Flávio Bolsonaro.
Segundo ele, cerca de metade desses eleitores já teria definido sua escolha e permaneceria resistente a uma mudança, principalmente em razão dos altos índices de rejeição aos dois principais nomes da disputa.
O diretor da Quaest também contestou a hipótese de que todos os votos disponíveis de candidatos alternativos migrariam para apenas um dos lados. De acordo com a análise apresentada, existe uma parcela desses eleitores que prefere Lula a Flávio Bolsonaro.
“Não é que o Lula fica sem voto nenhum, ele ganha um pedaço dessa migração”, afirmou Nunes. Segundo ele, entre os eleitores que admitem votar em Lula ou Flávio em um eventual segundo turno, a divisão apontada pela pesquisa indica uma tendência de aproximadamente 70% para Flávio Bolsonaro e 30% para Lula.
Para o cientista político, isso significa que a disputa não pode ser analisada a partir da hipótese de que todos os votos dos candidatos alternativos estarão automaticamente destinados a um único candidato.
Assista à análise: 
https://x.com/GloboNews/status/2102957873533759673
Rovai vê cenário aberto para primeiro turno
O diretor de redação da Revista Fórum, Renato Rovai, destaca outro dado da mesma pesquisa: o resultado da chamada pesquisa espontânea, quando o eleitor responde sem receber uma lista de candidatos.
Nesse recorte, Lula aparece com 36% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro com 31%, Cury com 3% e os demais candidatos somados também com 3%.
A partir desses números, Rovai avalia que os candidatos fora da polarização praticamente perderam espaço na preferência espontânea do eleitorado. Considerando apenas os votos declarados nessa fotografia da pesquisa, ele calculou que Lula chegaria a aproximadamente 49,3% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro a cerca de 42,5%.
Assista: 
https://www.youtube.com/@forumrevista?source_ve_path=MTU2Njk0&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Frevistaforum.com.br%2F

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