A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), e outros 12 investigados por organização criminosa, solicitando a prisão preventiva de todos eles. O indiciamento é resultado da conclusão do inquérito da Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte público no estado.
Segundo o relatório policial, Leite teria operado empresas de ônibus sob controle da facção e seria o verdadeiro dono da empresa Transwolff. Preso temporariamente desde 18 de setembro, ele aguarda agora a análise do Ministério Público de São Paulo, que deve decidir sobre a prisão preventiva na próxima semana.
O pedido de prisão preventiva foi feito para todos os indiciados: se concedida pela Justiça, a detenção deixa de ter prazo determinado, diferentemente da prisão temporária, que é limitada por lei.
A operação investiga a infiltração do PCC em empresas de transporte público no estado de São Paulo, e o encerramento do inquérito marca uma virada no caso: o que era investigação passa a ser acusação formal. Entre os indiciados por organização criminosa, além de Milton Leite, estão o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira; Danilo Morgado Silva, do PL, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande; e Carla de Paula Muller, esposa de José Muller Junior, apontado pelo Ministério Público de São Paulo como um dos líderes do PCC, respondendo pelo vulgo Granada. A presença de um ex-gestor da SPTrans, empresa responsável pelo gerenciamento do transporte coletivo na capital, entre os indiciados amplia o alcance político e institucional do caso.
As acusações contra o ex-vereador
De acordo com o relatório da Polícia Civil de São Paulo, Milton Leite era o responsável pela operação de empresas de transporte coletivo que estariam sob posse do PCC. O documento aponta ainda que o ex-vereador seria o verdadeiro dono da empresa Transwolff, o que, se confirmado judicialmente, colocaria uma figura central da política municipal paulistana como laranja de uma das maiores organizações criminosas do país.
As defesas dos indiciados sempre negaram as acusações, segundo a fonte consultada. Após o indiciamento, a defesa de Milton Leite não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem, e o espaço permanece aberto. A ausência de resposta imediata é comum em casos de alta exposição, mas a gravidade das imputações, organização criminosa com suposta ligação ao PCC em serviço público essencial, torna o posicionamento da defesa um elemento central para os próximos desdobramentos do processo.
Prisão temporária
Milton Leite está preso temporariamente desde 18 de setembro. Em 20 de outubro, foi transferido da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes para o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos por suspeitas de recebimento de regalias durante o cumprimento da prisão. A transferência indica que a custódia de uma figura política de alto perfil não passou sem questionamentos sobre o tratamento recebido no sistema penitenciário.
Na próxima semana, o Ministério Público de São Paulo deve analisar o pedido de prisão preventiva contra os investigados. Caso a Justiça aceite a denúncia, todos os envolvidos tornam-se réus por organização criminosa, o que abre caminho para um processo penal de longa duração.
Polícia Civil indicia Milton Leite, do União Brasil, e pede prisão preventiva por ligação com o PCC
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