Fernando Haddad (PT) colocou a infiltração do crime organizado na Polícia Militar de São Paulo no centro do confronto com Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante o debate da Band neste domingo (9). Cara a cara com o governador, o candidato citou investigações envolvendo coronéis de alta patente da corporação e questionou a condução da segurança pública paulista.
Haddad relacionou o avanço do Comando Vermelho em território paulista às revelações recentes sobre integrantes da cúpula da PM citados em apurações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC). A cobrança ocorre após uma sequência de investigações que atingiram oficiais da corporação e expuseram contatos de policiais com suspeitos apontados como operadores da facção.
No trecho divulgado pela Mídia NINJA, Haddad afirma:
“Nós estamos com infiltração do Comando Vermelho aqui no estado de São Paulo. O Vale do Paraíba, você sabe, o Comando Vermelho está entrando do Rio de Janeiro para cá. Teve no interior de São Paulo episódios com o Comando Vermelho e uma das coisas mais graves que aconteceram na história da Polícia Militar desse Estado.”
https://x.com/MidiaNINJA/status/2086609214185619531
Haddad cita coronéis e cobra Tarcísio sobre PCC na PM
Na sequência do confronto, Haddad foi mais específico e citou o envolvimento de coronéis de alta patente em investigações sobre o crime organizado. Segundo o petista, informações relacionadas a um promotor de Justiça chegaram às mãos de criminosos.
“E agora coronéis de alta patente vinculados com o crime organizado. Imagina passar para o crime organizado dados de um promotor de Justiça para que ele fosse alvejado.”
A fala faz referência ao conjunto de investigações que colocou oficiais da PM paulista sob escrutínio. Em julho, a Fórum mostrou que um coronel da PM mantinha um grupo de WhatsApp com investigados ligados ao PCC. O militar não era apontado como integrante da facção, mas os contatos apareceram na apuração conduzida contra suspeitos de lavagem de dinheiro.
Outro desdobramento revelou conversas sobre pagamentos de propina envolvendo coronéis da Polícia Militar. A investigação também alcançou suspeitas relacionadas à obtenção de informações sobre agentes públicos que atuam diretamente no combate ao PCC.
Promotor na mira do PCC aparece no centro das investigações
Entre os nomes citados nas apurações está o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, uma das principais autoridades brasileiras no enfrentamento ao PCC e alvo de planos da facção. A Fórum revelou que investigados monitoravam rotinas, fotografias e trajetos do promotor.
A relação entre setores da elite policial e personagens investigados por ligação com o PCC já havia aparecido em outros depoimentos. Em abril, a Fórum detalhou relatos de Gakiya e do empresário Antônio Vinicius Gritzbach sobre suspeitas envolvendo integrantes da Rota e o crime organizado.
Em outro episódio, Tarcísio chegou a classificar o coronel José Augusto Coutinho como “ilibado” antes de novas informações da investigação virem a público. A Fórum mostrou a declaração do governador e os novos elementos revelados posteriormente.
Tarcísio defende gestão e cita operações contra o PCC
Durante o debate, Tarcísio rebateu a ofensiva de Haddad afirmando que seu governo promoveu operações contra estruturas financeiras do PCC, inclusive nos setores de combustíveis e transportes. O governador também saiu em defesa da política de segurança conduzida durante a gestão de Guilherme Derrite.
Uma das ações citadas no debate foi a ofensiva contra a infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis. Em agosto de 2025, uma força-tarefa com participação de órgãos estaduais e federais mirou mais de 350 investigados e buscou bloquear R$ 7,6 bilhões. O Governo de São Paulo publicou o balanço oficial da operação.
Haddad, porém, insistiu que operações isoladas não respondem às suspeitas envolvendo integrantes da própria estrutura policial e acusou o governo estadual de falta de comando na segurança pública. O confronto levou para o debate eleitoral uma crise que já vinha sendo documentada por investigações sobre lavagem de dinheiro, monitoramento de autoridades e relações de policiais com suspeitos ligados ao PCC.
Cara a cara, Haddad expõe infiltração do PCC na PM de Tarcísio
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