A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporou uma canção de Bad Bunny a uma nova peça eleitoral para reforçar o discurso de soberania nacional e fazer críticas à aproximação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o governo de Donald Trump. Segundo a campanha petista, a equipe do cantor porto-riquenho autorizou o uso da canção.
A peça utiliza uma versão de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, faixa do álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS, vencedor do Grammy. A música original aborda temas como perda territorial, gentrificação, influência dos Estados Unidos e preservação da identidade de Porto Rico.
No vídeo, a campanha adapta a letra para o contexto político brasileiro. Um dos trechos diz: “Querem tomar o rio, e também a praia, querem as terras raras, querem que a gente saia. Não largue a bandeira, não esqueça o que vivi, não quero que façam contigo, o que fazem por aí”.
A propaganda começa com a voz do ator Wagner Moura, que apresenta uma interpretação sobre a origem do sobrenome Silva.
“Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva”, afirma.
Na sequência, Moura diz:
“Quem nascia aqui, para eles, era ‘da selva’. O povo brasileiro sempre foi ‘da Silva’”.
A música começa depois da introdução. Ao longo da peça, são exibidas imagens de apoiadores do bolsonarismo carregando bandeiras dos Estados Unidos, além de referências a medidas e declarações relacionadas ao governo Trump.
A campanha relaciona Flávio Bolsonaro à aproximação com o presidente norte-americano e apresenta a disputa em torno da soberania nacional como um dos eixos da propaganda. O vídeo termina com uma declaração de Lula: “O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.
https://x.com/NipeLatino/status/2102964136028045483/video/2
Música de Bad Bunny aborda relação com os EUA
A escolha da faixa ocorre em um contexto no qual Bad Bunny tem utilizado sua obra para tratar de questões ligadas à identidade e à história de Porto Rico. Em DeBÍ TiRAR MáS FOToS, o cantor aborda temas como colonização, deslocamento populacional e mudanças culturais provocadas pela influência estrangeira.
“Lo Que Le Pasó a Hawaii” estabelece uma comparação entre a história do Havaí e os processos que afetaram Porto Rico. A música alerta para a possibilidade de perda de identidade e de transformação da ilha diante da influência norte-americana.
Show do intervalo do Super Bowl
Bad Bunny também esteve no centro de um episódio de repercussão política nos Estados Unidos neste ano. Em fevereiro, o cantor comandou o show do intervalo do Super Bowl LX, em Santa Clara, na Califórnia. A apresentação teve referências à cultura porto-riquenha e à identidade latino-americana e contou com participações de Lady Gaga e Ricky Martin.
O presidente Donald Trump reagiu negativamente ao espetáculo. Em declaração posterior, classificou a apresentação como “absolutamente terrível, uma das piores DE SEMPRE!” e criticou o fato de o cantor se apresentar em espanhol, afirmando que “ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”.
Bad Bunny já havia criticado políticas migratórias de Trump. A relação entre o cantor, a identidade porto-riquenha e o debate sobre a influência dos Estados Unidos passou a integrar parte da repercussão em torno de seu trabalho.
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