Crise do BRB domina debate no DF e Celina Leão tenta se descolar de Ibaneis Rocha

Crise do BRB domina debate no DF e Celina Leão tenta se descolar de Ibaneis Rocha
Crise do BRB -

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), foi o centro das críticas no primeiro debate entre os candidatos ao Palácio do Buriti, realizado pela Band neste domingo (9).
A crise do BRB, banco estatal controlado pelo governo distrital, e seu envolvimento com o Banco Master dominaram os embates.
Adversários estimaram o rombo entre R$ 8 bilhões e R$ 13 bilhões e cobraram transparência sobre as contas da instituição, enquanto Celina tentou se distanciar da gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice.
Celina Leão sob fogo cruzado no debate do DF
Leandro Grass (PT) e José Roberto Arruda (PSD) formaram dobradinha para pressionar Celina Leão sobre a gestão do BRB.
Grass afirmou que a condução do banco pela gestão Ibaneis-Celina teria provocado um rombo estimado entre R$ 8 bilhões e R$ 13 bilhões e classificou o caso Master como “o maior escândalo de corrupção da história do Brasil”.
O candidato do PT prometeu que, se eleito, sua primeira medida seria “abrir a caixa do BRB” para descobrir “para onde foram os bilhões”, questionando se o dinheiro teria ido para paraísos fiscais ou virado caixa dois de campanha.
Arruda, na sequência, também atacou a condução do banco e disse estar “muito preocupado de estar empurrando o BRB para a barriga para deixar quebrar depois da eleição”.
A estratégia dos dois adversários foi clara: vincular Celina à herança da gestão Ibaneis, explorando o fato de ela ter sido vice-governadora durante o período em que as operações com o Banco Master foram articuladas.
Celina reagiu tentando romper esse vínculo de forma explícita. Afirmou não ter participado da decisão relacionada ao Banco Master e que foi contrária à operação na época.
Chegou a dizer que o Distrito Federal “jamais” voltará a eleger um governador que foi presidente da OAB, numa referência direta ao próprio Ibaneis.
“Não sou apêndice de Ibaneis, eu sou um novo projeto, sou Celina Leão”, declarou.
A tentativa de se apresentar como ruptura com a gestão anterior, porém, esbarra no fato de que ela própria integrou aquele governo por anos, o que seus adversários não deixaram passar.
Ricardo Cappelli (PSB) foi direto: “Ela foi vice do Ibaneis, agora fala mal do Ibaneis; ela vai trocando de pele a cada eleição.”
A crise do BRB e o caso Master
O BRB, banco estatal controlado pelo Governo do Distrito Federal, está no centro de uma crise financeira decorrente de operações com o Banco Master, instituição do banqueiro Daniel Vorcaro.
O escândalo resultou na saída e na prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, sob suspeita de participação nas irregularidades.
Para cobrir o rombo deixado pelas operações, o banco público negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A dimensão real do problema, no entanto, é disputada.
Arruda afirmou que uma carta enviada pelo BRB ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, menciona inicialmente um prejuízo de R$ 6,6 bilhões, mas indica, em seu penúltimo parágrafo, que o rombo poderia chegar a R$ 20 bilhões caso o aporte não seja liberado.
Fux marcou nova audiência pública sobre o tema para 13 de agosto.
Os candidatos também cobraram a publicação do balanço do BRB, cuja atualização está em atraso, segundo as fontes do debate.
A falta de transparência sobre a situação financeira da instituição foi apontada por adversários como um problema em si, que impede a fiscalização pública sobre um banco que é patrimônio dos brasilienses.
As defesas de Celina e as propostas dos candidatos
Celina Leão adotou uma linha de defesa em dois eixos: rejeitar a responsabilidade pela origem da crise e afirmar protagonismo na busca pela solução.
“Não sou responsável pelos erros de Ibaneis, sou responsável pelo meu governo, que começou há quatro meses”, disse.
A governadora argumentou que foi contrária à aquisição do Master pelo BRB por considerar que o banco deveria manter um perfil regional, não nacional, e que “vice-governadora não consegue mudar decisão de governador”.
Citou ainda a melhora das contas públicas do DF como evidência de sua gestão: na sexta-feira anterior ao debate (7), o governo distrital apresentou balanço do primeiro semestre e projetou superávit de R$ 3 bilhões para o fim de 2026, revertendo previsão anterior de déficit de R$ 6 bilhões.
Celina também cobrou que candidatos ligados ao governo federal ajudassem a viabilizar o empréstimo ao BRB por meio de garantias da União.
“Estou sozinha tentando salvar um banco”, afirmou.
Grass respondeu que o pagamento do rombo deve ser feito por quem o provocou, não pelos cofres federais.
O petista ainda alertou para um risco concreto aos servidores públicos do DF: com o empréstimo do FGC, os reajustes salariais poderiam ser congelados até a quitação da dívida, fazendo com que o funcionalismo “pague a conta do arrocho fiscal” para salvar o banco.
Arruda, por sua vez, apresentou um conjunto de medidas para o BRB: troca da direção indicada pelo Executivo, fechamento de agências fora de Brasília e corte de patrocínios, incluindo contratos com times de futebol, Fórmula 1 e salas VIP.
Paula Belmonte (PSDB) disse que, se eleita, faria o banco “em vez de patrocinar esporte em Dubai patrocinar o empreendedor de Brasília”.
Kiko Caputo (Novo) afirmou que não se pode resolver a questão “fazendo acordo em prejuízo dos servidores públicos”.
O debate deixou claro que o próximo governador ou governadora do DF herdará uma crise bancária de proporções ainda não totalmente conhecidas, e que a disputa sobre quem a causou e quem vai resolvê-la já começou.

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