Secretária de Nunes convoca servidores por WhatsApp para convenção de Tarcísio

Secretária de Nunes convoca servidores por WhatsApp para convenção de Tarcísio
Secretaria de Nunes - Julio Costa Barros / Fórum

A secretária adjunta de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo, Cássia Aparecida Travensolo, utilizou um grupo de WhatsApp da pasta para convocar servidores públicos municipais à convenção estadual do Republicanos, realizada em 1º de agosto, que homologou a candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas. A convocação foi revelada pelo colunista Vinicius Passarelli, do Metrópoles, que teve acesso às mensagens enviadas pela secretária adjunta no grupo de servidores.
A Convocação
O canal usado foi um grupo de WhatsApp composto por cerca de 30 supervisores de assistência social vinculados à secretaria.
Pelo grupo, Cássia Aparecida Travensolo enviou um link de cadastro para o evento e deixou a mensagem direta: “Pessoal, importante a presença de vocês.” Além de mobilizar os servidores, a secretária adjunta fez questão de informar que o convite havia partido do próprio prefeito Ricardo Nunes, conferindo ao chamado um peso hierárquico que vai além de uma sugestão informal.
A convenção do Republicanos, realizada em 1º de agosto, teve como objetivo central oficializar a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição ao governo do estado de São Paulo.
Usar um canal de comunicação de trabalho, com subordinados diretos, para mobilizá-los a um evento de filiação e homologação partidária coloca a convocação num terreno politicamente sensível: o da fronteira entre a função pública e o engajamento eleitoral.
A Reação da Prefeitura
Diante da repercussão, a Prefeitura de São Paulo emitiu nota afirmando que “não orienta, autoriza ou compactua com qualquer tipo de convocação de servidores públicos para participação em atividades de natureza político-eleitoral”.
O texto posiciona a administração municipal como alheia à conduta da secretária adjunta, buscando dissociar o nome do prefeito Ricardo Nunes da mobilização que, segundo a própria Cássia, teria partido dele.
A nota, porém, é protocolar no que diz e silenciosa no que omite. Não há menção a qualquer apuração interna, processo administrativo ou orientação formal enviada às secretarias sobre conduta em período eleitoral.
A prefeitura se desvincula da ação sem explicar como uma secretária adjunta chegou a invocar o nome do prefeito para convocar servidores a um evento partidário, nem o que pretende fazer a respeito.
Implicações e Contexto Político
Há um detalhe revelador na imagem que Cássia Aparecida Travensolo divulgou no grupo: embora a convenção fosse do Republicanos, o material classificava o evento como “suprapartidário” e exibia fotos de Tarcísio de Freitas ao lado do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e do vice-governador Felício Ramuth, também do MDB.
A composição visual não é acidental. Ela reflete o arranjo político que une o governo estadual ao partido do prefeito de São Paulo, e ajuda a entender por que uma secretária adjunta do MDB se sentiu à vontade para convocar servidores municipais a um evento do Republicanos em nome de Nunes.
A convocação de funcionários públicos por canais de trabalho para eventos político-eleitorais é uma prática que levanta questões concretas sobre o uso da máquina pública e sobre a posição em que são colocados os servidores convocados.
Para um supervisor de assistência social que recebe, pelo grupo oficial da secretaria, a mensagem de que a presença é “importante” e que o pedido vem do prefeito, a linha entre participação voluntária e pressão institucional se torna tênue.
A nota da prefeitura desautoriza a prática no papel, mas não desfaz o constrangimento já criado, nem responde se haverá consequências para quem o criou.

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