Flávio Bolsonaro enquadra deputada por apoio a Carlos e ameaça proibir uso da imagem do pai

Flávio Bolsonaro enquadra deputada por apoio a Carlos e ameaça proibir uso da imagem do pai
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro - (Lula Marques/Agência Brasil)

O candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) enquadrou publicamente a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), exigindo que ela declare apoio ao seu irmão, Carlos Bolsonaro, na disputa ao Senado pelo estado. Caso contrário, a parlamentar estaria proibida de usar a imagem da família na campanha.
A cobrança ocorreu em um comentário feito no perfil do Instagram de Campagnolo neste fim de semana. “Prezada Ana Campagnolo, gravamos este vídeo há alguns meses, em mais um gesto de minha parte para buscarmos unidade contra o mal maior que é o PT. Gostaria que você também gravasse um vídeo apoiando o outro indicado de Jair Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina, meu irmão Carlos Bolsonaro”, diz o presidenciável do PL, fazendo referência ao vídeo divulgado na publicação da parlamentar, no qual ela aparece ao lado do senador discursando sobre que “defender a mulher não é atacar os homens, não é sectarismo, não é divisão”. 
“Caso não possa fazê-lo, vou compreender, mas também compreenda se eu te pedir pra não usar mais minha imagem nem a de Jair Bolsonaro. Posso contar com você?”, questionou o senador.
Em resposta, Campagnolo disse que a gravação, de fato, foi em maio, mas que ela a recebeu apenas recentemente. “Programei sua divulgação para a véspera do Dia dos Pais, pela mensagem de conciliação entre homens e mulheres que ele carrega e também pelo fato de você ser pai de duas meninas”, disse. “Estou à disposição de toda a nossa nominata majoritária para contribuir com gravações e demais ações de campanha que possam fortalecer o projeto do PL. Até o momento, não recebi mais nenhuma solicitação nesse sentido, mas sigo à disposição”, pontuou.
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O ultimato de Flávio foi uma reação a um vídeo que viralizou nas redes. Na gravação, o vice-prefeito de Itajaí, Rubens Angioletti (PL), pede votos para a chapa ao Senado. Quando o nome de Carlos é citado, Campagnolo sai da frente da câmera, gesticulando em sinal de recusa.
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Candidatura imposta e racha na base
A aversão a Carlos Bolsonaro em parte da direita e da extrema direita catarinense tem raiz na forma como sua candidatura foi imposta. O ex-vereador transferiu seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina, atuando como um “paraquedista” político. A manobra implodiu uma aliança costurada entre o PL e o PP, que previa a deputada federal Carol de Toni (PL) e Esperidião Amin (PP) na chapa.
Desde então, Campagnolo tem demonstrado insatisfação. Em novembro do ano passado, a parlamentar contestou a articulação de Carlos para disputar uma cadeira no Senado por Santa Catarina e entrou em confronto público com integrantes da família Bolsonaro por defender a candidatura de Carol De Toni, que durante meses teve sua postulação ao Senado colocada em dúvida pelo PL catarinense.
Em abril, quando repercutiu um evento no estado que teve a presença do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, a deputada estadual “cortou” Carlos de uma das fotos, o que lhe valeu muitas críticas nas redes sociais por parte da base do ex-presidente. Já o ex-vereador publicou uma imagem em que Campagnolo estava presente.
A tensão aumentou na última semana, quando a deputada atacou publicamente o suplente escolhido pelo próprio Carlos Bolsonaro, o ex-prefeito Rafael Callefi. Campagnolo resgatou vídeos em que Callefi chamava Jair Bolsonaro de “ogro” e criticava a postura negacionista do ex-presidente durante a pandemia de covid-19.
 

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