Flávio Bolsonaro se desesperou com quebra de sigilo do “meu amigo Willer Tomaz”; veja vídeo

Flávio Bolsonaro se desesperou com quebra de sigilo do “meu amigo Willer Tomaz”; veja vídeo
- Flávio Bolsonaro defende Willer Tomaz na CPI da Pandemia. Na foto, advogado com parlamentares na piscina (Agência...

Anfitrião da festa em seu Rancho Tomaz, onde diversos parlamentares aparecem à vontade dentro e no entorno de uma piscina com copos de whisky e garrafas de cerveja, o advogado Willer Tomaz foi defendido pelo amigo Flávio Bolsonaro (PL) durante a sessão da CPI da Pandemia em 25 de junho de 2021 quando o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), pediu a sua quebra de sigilo fiscal.
Na ocasião, a CPI ouvia o então deputado Luis Miranda (Republicanos) e o irmão dele, Luis Ricardo Fernandes Miranda, servidor público do Ministério da Saúde, sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra da vacina Covaxin, contra a Covid-19, pelo governo Jair Bolsonaro (PL).
Flávio, que não era membro da comissão, teve seu nome citado primeiramente pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que falou sobre uma reportagem da revista Veja dizendo que o filho “01” de Bolsonaro “abriu as portas do BNDES para dono da Precisa, empresa que fechou contrato com a Covaxin”. Em seguida, Renan Calheiros indagou os depoentes sobre o senador, que entrou à distância, pedindo “questão de ordem” por ter sido citado.
No entanto, logo após se defender, Flávio Bolsonaro mostrou sua indignação com a quebra de sigilo dos “amigos” Tomaz e Frederick Wassef, advogado que foi responsável por esconder Fabrício Queiroz, pivô do escândalo das “rachadinhas”, em uma chácara em Atibaia, no interior paulista.
“Em segundo lugar, Presidente Omar Aziz, sobre essa questão agora que o Relator, o Sr. Renan Calheiros, esse ser que está sentado aí ao seu lado, ele faz umas perguntas ao depoente que a gente percebe claramente com isso qual é a real intenção do Sr. Renan Calheiros. Ele perguntou alguns nomes de pessoas que, de alguma forma, estão no meu entorno. Algumas são amigas, outras são pessoas próximas sem muitos vínculos, como ele citou agora aí o meu advogado e amigo Frederick Wassef, como o meu amigo advogado Willer Tomaz“, disse Flávio.
Em seguida, o senador indagou o presidente da comissão sobre os “critérios” usados para a quebra de sigilo pela CPI. Presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM) explica que as quebras são de pessoas suspeitas citadas na investigação.
Flávio, então, se revolta e passa a defender ferozmente Willer Tomaz. “O Senador Renan Calheiros, acredito eu, sozinho, porque parece que ele é que manda na CPI, quebrou o sigilo fiscal do Sr. Willer Tomaz, que nunca foi ouvido aí. E acabou de ser dito pelo depoente que nunca ouviu falar. Quebrou o sigilo”, disparou.
Interrompendo Omar Aziz, Flávio afirma que Calheiros está usando a CPI para fazer “a famosa fishing expedition”, citando o mesmo caso que tem feito pela ala lavajatista da Polícia Federal em relação a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que virou alvo recentemente de três investigações.
“Presidente, eu estou falando exatamente das pessoas que ele acabou de citar. Ele citou meu nome, perguntou se ele me conhecia. Eu estou falando do assunto no qual eu fui citado. Então, assim, é importante porque passa a imagem para quem está assistindo a CPI de que é algo irregular, de que há alguma suspeita no ar. Isso tem que ser rechaçado veementemente. O Senador Renan Calheiros não pode fazer o que ele bem entender na CPI, quebrar o sigilo de quem ele quiser”, disse Flávio, prometendo abrir processo contra Calheiros.
“Presidente, ele citou nomes que tiveram o sigilo quebrado pela Comissão antes de serem ouvidos, que nunca haviam sido citados na CPI. Isso é um absurdo! Isso é um crime! Eu vou representar contra”, emendou.
https://x.com/revistaforum/status/2087162491499389167
Rancho Tomaz
A fotografia encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA) mostra uma confraternização com políticos e o advogado Willer Tomaz, investigado na Operação Sem Desconto. A imagem foi localizada durante a nova etapa da apuração sobre lavagem de dinheiro relacionada às fraudes nos descontos de aposentadorias e pensões do INSS.
Segundo a revista Piauí, que obteve o registro, aparecem na foto Arthur Lira (PP), Alexandre Ramagem (PL), Juscelino Filho, Paulo Azi (União Brasil), Angelo Coronel, Diego Coronel, Angelo Coronel Filho e Marcinho Oliveira, além de Weverton e Willer Tomaz.
O encontro ocorreu em 23 de abril de 2023 no Rancho Tomaz, propriedade do advogado em Planaltina, no Distrito Federal.
Weverton Rocha está entre os alvos da Operação Sem Desconto. A nova fase foi deflagrada na terça-feira (4), com 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A PF investiga uma possível ligação entre o senador e Willer Tomaz por meio de empresas, sociedades patrimoniais e postos de combustíveis. A suspeita é de que essa estrutura tenha sido usada para movimentar e ocultar recursos relacionados ao esquema investigado no INSS.
Amigo de Flávio
Muito antes da disputa pela mansão de Angra dos Reis contra o jogador Richarlison, Willer Tomaz já havia se tornado personagem de um dos episódios mais rumorosos envolvendo pessoas próximas ao clã Bolsonaro.
Em 2019, o advogado e Flávio Bolsonaro sacaram cerca de R$ 1,5 milhão em espécie nos caixas de um cassino em Las Vegas, nos Estados Unidos. A operação chamou atenção porque os recursos foram retirados em dinheiro vivo, procedimento incomum para valores dessa magnitude. À época, ambos afirmaram que o saque tinha como objetivo permitir apostas no estabelecimento, prática comum em cassinos americanos. O episódio ganhou repercussão em meio às investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Criminalista conhecido em Brasília, Willer Tomaz construiu influência nos bastidores do Judiciário ao atuar em processos de grande repercussão e representar empresários, políticos e investigados em operações de corrupção. Sua trajetória, contudo, também é marcada por controvérsias.
Em 2017, foi preso preventivamente na Operação Patmos, acusado de atuar para comprar decisões judiciais em favor do empresário Joesley Batista. O advogado sempre negou as acusações e foi posteriormente colocado em liberdade, continuando a exercer a advocacia.
A amizade com Flávio Bolsonaro atravessou os anos. Além de aparecer ao lado do senador em viagens internacionais e no episódio do cassino em Las Vegas, Tomaz tornou-se uma figura recorrente em episódios que envolvem interesses patrimoniais ligados ao entorno do parlamentar. A disputa pela mansão de Richarlison, na qual Flávio figura como testemunha e cuja origem remonta ao interesse manifestado pelo senador pelo imóvel, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos dessa relação.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!