Em meio ao ritmo intenso da corrida pela Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viu-se no centro de um desgaste constrangedor que expõe o uso de dados falsos em sua biografia oficial. O candidato, que integra uma ala política conhecida por constantes ataques e acusações de doutrinação ideológica direcionados às universidades públicas brasileiras, atribuiu a si mesmo um título de pós-graduação por uma das mais prestigiadas instituições federais do país: a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No entanto, registros oficiais da própria instituição desmentem o parlamentar e confirmam que ele jamais estudou lá.
A revelação veio à tona após checagens jornalísticas confirmarem que a biografia mantida por Flávio no site da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde atuou por anos como deputado estadual, ostentava uma inexistente especialização em Ciências Políticas cursada na UFRJ. A mentira currículo adentro não era pontual: a informação chegou a constar na rede profissional LinkedIn do senador e aparecia no perfil do site do Senado Federal. Para agravar o quadro, a própria assessoria de imprensa do presidenciável chegou a incluir a falsa pós-graduação na UFRJ em um material biográfico oficial distribuído a jornalistas no final do mês de julho.
Diante do questionamento formal, a UFRJ foi categórica. Consultando o Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (Siga), plataforma operacional desde 2001 que unifica a memória discente da universidade, a instituição informou que “não há registro referente ao sr. Flávio Nantes Bolsonaro como discente”.
A farsa cria um forte ruído de coerência para o grupo político do senador. Por anos, a militância extremista e o clã Bolsonaro elegeram as universidades federais, e a UFRJ em particular, como alvos prioritários de um discurso de demonização, acusando essas instituições de abrigar “balbúrdia” e ineficiência. No entanto, quando precisou ornamentar o próprio histórico acadêmico com o peso de uma especialização em Ciências Políticas para disputar o cargo mais alto do Executivo nacional, Flávio não hesitou em valer-se indevidamente do prestígio da própria universidade pública que seu discurso habitual desqualifica.
Pressionada pelos fatos, a campanha do candidato do PL tentou minimizar a situação classificando a mentira como meros “erros ou equívocos” de terceiros. Em nota oficial, a equipe argumentou que as informações incorretas teriam sido “possivelmente extraídas de páginas como a Wikipedia” e informou ter solicitado a retificação dos cadastros institucionais da Alerj e do Senado. De acordo com a nova versão apresentada pela assessoria, a real formação do senador limita-se ao bacharelado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, uma pós-graduação em Políticas Públicas pelo Iuperj e um MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Apesar da tentativa de atribuir a culpa ao ecossistema da internet, a explicação da campanha não resiste ao fato de que a própria equipe do senador encarregou-se de distribuir o histórico adulterado para veículos de imprensa semanas antes da denúncia. O episódio deixa um rastro de contradições no palanque do candidato, revelando que a busca por verniz acadêmico falou mais alto do que a verdade nos registros oficiais de sua trajetória.
Flávio Bolsonaro mente em currículo oficial e diz ter pós na UFRJ, onde nunca estudou
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