Mansão de Angra: Richarlison compartilha vídeo de deputado sobre disputa com amigo de Flávio Bolsonaro

Mansão de Angra: Richarlison compartilha vídeo de deputado sobre disputa com amigo de Flávio Bolsonaro
Jair, Flávio Bolsonaro e Richarlison - Foto: Valter Campanato Agência Brasil / Lucas Figueiredo CBF

O atacante Richarlison voltou a dar visibilidade à disputa pela mansão de Angra dos Reis (RJ) ao compartilhar em seu perfil no Instagram um vídeo do deputado federal Rogério Correia (PT-MG). Na gravação, o parlamentar apresenta documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre a tramitação do imóvel na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e anuncia que pretende levar o material à Polícia Federal.
A nova documentação coloca no centro do caso a velocidade de procedimentos administrativos realizados em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, relacionados aos direitos de ocupação do terreno na Ilha Comprida. A disputa envolve a empresa Sport 70, ligada a Richarlison, e a WT Administração de Imóveis e Bens, de Willer Tomaz, advogado que Flávio Bolsonaro já reconheceu publicamente como amigo.
https://x.com/RogerioCorreia_/status/2087636772670902347
Richarlison compartilha denúncia baseada em documentos da SPU
No vídeo compartilhado por Richarlison, Rogério Correia afirma que recebeu documentos oficiais que, segundo ele, justificam uma investigação sobre a forma como os direitos de ocupação do imóvel passaram a ser registrados em favor da empresa de Willer Tomaz.
Os documentos foram obtidos pelo deputado via LAI e também analisados pelo site ICL Notícias. Eles mostram que um pedido de regularização apresentado em setembro de 2021 não chegou a ser concluído. Outro requerimento, protocolado em 11 de maio de 2022, teve desfecho cerca de dois meses depois.
Um terceiro procedimento chama atenção pela rapidez. Em 11 de julho de 2022, a SPU abriu o processo 10154.139524/2022-11 para permitir a emissão de uma Certidão Autorizativa para Transferência, necessária à transferência dos direitos de ocupação perante a União.
Segundo a resposta oficial obtida pela LAI, foi utilizada uma modalidade especial devido a um “impedimento no sistema”. O processo foi aberto e concluído no mesmo dia, com a emissão da certidão. Também em 11 de julho foi lavrada em cartório uma escritura pública de compra e venda e cessão dos direitos de ocupação.
Posteriormente, o cadastro da União passou da M. Locadora de Veículos e Transportes Turísticos para a WT Administração de Imóveis e Bens. Os registros consultados indicam ainda pagamento de R$ 57,3 mil em laudêmio relacionado à operação.
Rogério Correia quer levar caso da mansão de Richarlison à PF
Correia sustenta que a diferença de velocidade entre os procedimentos precisa ser investigada. O deputado anunciou que apresentará uma notícia-crime à Polícia Federal para pedir a apuração das circunstâncias em que ocorreu a transferência administrativa.
O parlamentar também atribui papel relevante ao então superintendente da SPU no Rio de Janeiro, Paulo da Silva Medeiros. Documentos obtidos pela LAI registram que Medeiros comandou a superintendência entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2022 e participou de etapas dos processos administrativos relacionados ao imóvel.
As acusações de favorecimento, porém, são de Rogério Correia. Os documentos disponíveis mostram a diferença nos tempos de tramitação e a conclusão de um procedimento especial no mesmo dia, mas não comprovam, isoladamente, interferência política para beneficiar Willer Tomaz ou sua empresa.
A própria SPU informou, na resposta obtida pela LAI, que não abriu processo administrativo específico para investigar irregularidades nas transferências porque sua unidade técnica não identificou problemas. Segundo o órgão, as alterações cadastrais foram fundamentadas nos documentos pessoais e cartoriais apresentados.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz aparecem no histórico da disputa
O imóvel fica na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, e está em área pertencente à União. Por isso, o ponto central dos procedimentos da SPU não é a propriedade convencional da mansão, mas o reconhecimento administrativo dos direitos de ocupação do terreno.
A disputa judicial envolve diretamente empresas relacionadas a Richarlison e a Willer Tomaz. Flávio Bolsonaro não figura como parte na ação possessória. O senador, no entanto, foi arrolado como testemunha e já confirmou que conhece Tomaz e que esteve na mansão antes do agravamento da disputa.
Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel e já usou as redes sociais para dizer que perdeu o acesso à propriedade e não recuperou o dinheiro aplicado. Em julho, ele também repercutiu um vídeo de Rogério Correia sobre a mansão.
Flávio Bolsonaro nega participação na disputa pelo imóvel. Em manifestação pública sobre o episódio, afirmou não ter relação jurídica com a mansão ou com o processo de Willer Tomaz e disse que sua ligação com o advogado é de amizade.
O novo material obtido por Rogério Correia acrescenta agora uma frente administrativa ao caso: a sequência de atos praticados pela SPU durante o governo Bolsonaro. A promessa do deputado é transformar os documentos em notícia-crime para que a Polícia Federal avalie se a rapidez observada nos procedimentos ocorreu dentro da normalidade ou se há elementos para aprofundar a investigação.

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