PF cumpre novo mandado contra Nelson Wilians por suspeita de operar esquema de jogos de azar

PF cumpre novo mandado contra Nelson Wilians por suspeita de operar esquema de jogos de azar
- Nelson Wilians - Foto: Reprodução/Facebook

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo, como parte da Operação Arena. A decisão foi expedida pela 4ª Vara Federal da Paraíba e aponta Wilians como suspeito de atuar como operador financeiro de um grupo empresarial do Nordeste investigado por ocultar recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas. A nova ação ocorre menos de um mês após o advogado já ter sido alvo de operação do Fisco paulista por suposta fraude de R$ 3,8 bilhões em créditos de ICMS.
Nova operação da PF contra Nelson Wilians
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na mansão de Nelson Wilians em São Paulo no âmbito da Operação Arena. A autorização judicial partiu da 4ª Vara Federal da Paraíba, o que indica que o centro da investigação está ancorado naquele estado, ainda que os alvos se espalhem por diferentes regiões do país.
Wilians é apontado pela PF como suspeito de ser o operador financeiro de um grupo empresarial do Nordeste investigado por utilizar estrutura societária e financeira no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e de apostas esportivas. A suspeita coloca o advogado no núcleo financeiro do esquema, não como figura periférica.
Operação Arena: o que se sabe sobre o esquema
A Operação Arena mobilizou 17 mandados de busca e apreensão cumpridos simultaneamente nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. Além das buscas, a operação incluiu medidas de quebra de sigilo telemático e bancário e autorização para sequestro de até R$ 1,1 bilhão em ativos.
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de evasão de dívidas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional. A amplitude geográfica da operação e o volume de recursos sob mira indicam um esquema de considerável complexidade, estruturado para dificultar o rastreamento do dinheiro por meio de camadas societárias no exterior.
Investigação anterior por fraude no ICMS
A Operação Arena não é o primeiro cerco institucional a Nelson Wilians. Em 15 de julho, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) deflagrou operação contra uma organização investigada por suposta venda de créditos falsos de ICMS. O esquema teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributários, valendo-se de empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional, que emitiam documentos fiscais para dar circulação artificial a créditos depois incorporados à escrituração de contribuintes. Um dos núcleos principais do grupo investigado estava ligado ao grupo econômico do advogado, cujo escritório também foi alvo de buscas na ocasião.
À época, o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) divulgou nota afirmando que “a gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV”, e que, “ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes”, segundo o NWADV. A defesa de Mayra de Paula, advogada de Londrina apontada pela investigação como “sócia” de Wilians nas fraudes, não havia se manifestado até o fechamento desta nota.
“A gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV. Ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes.” — Nota do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV)

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