A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo, como parte da Operação Arena. A decisão foi expedida pela 4ª Vara Federal da Paraíba e aponta Wilians como suspeito de atuar como operador financeiro de um grupo empresarial do Nordeste investigado por ocultar recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas. A nova ação ocorre menos de um mês após o advogado já ter sido alvo de operação do Fisco paulista por suposta fraude de R$ 3,8 bilhões em créditos de ICMS.
Nova operação da PF contra Nelson Wilians
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na mansão de Nelson Wilians em São Paulo no âmbito da Operação Arena. A autorização judicial partiu da 4ª Vara Federal da Paraíba, o que indica que o centro da investigação está ancorado naquele estado, ainda que os alvos se espalhem por diferentes regiões do país.
Wilians é apontado pela PF como suspeito de ser o operador financeiro de um grupo empresarial do Nordeste investigado por utilizar estrutura societária e financeira no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e de apostas esportivas. A suspeita coloca o advogado no núcleo financeiro do esquema, não como figura periférica.
Operação Arena: o que se sabe sobre o esquema
A Operação Arena mobilizou 17 mandados de busca e apreensão cumpridos simultaneamente nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. Além das buscas, a operação incluiu medidas de quebra de sigilo telemático e bancário e autorização para sequestro de até R$ 1,1 bilhão em ativos.
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de evasão de dívidas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional. A amplitude geográfica da operação e o volume de recursos sob mira indicam um esquema de considerável complexidade, estruturado para dificultar o rastreamento do dinheiro por meio de camadas societárias no exterior.
Investigação anterior por fraude no ICMS
A Operação Arena não é o primeiro cerco institucional a Nelson Wilians. Em 15 de julho, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) deflagrou operação contra uma organização investigada por suposta venda de créditos falsos de ICMS. O esquema teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributários, valendo-se de empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional, que emitiam documentos fiscais para dar circulação artificial a créditos depois incorporados à escrituração de contribuintes. Um dos núcleos principais do grupo investigado estava ligado ao grupo econômico do advogado, cujo escritório também foi alvo de buscas na ocasião.
À época, o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) divulgou nota afirmando que “a gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV”, e que, “ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes”, segundo o NWADV. A defesa de Mayra de Paula, advogada de Londrina apontada pela investigação como “sócia” de Wilians nas fraudes, não havia se manifestado até o fechamento desta nota.
“A gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV. Ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes.” — Nota do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV)
PF cumpre novo mandado contra Nelson Wilians por suspeita de operar esquema de jogos de azar
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