Um vídeo resgatado pelo PT mostra Luiz Inácio Lula da Silva defendendo a redução da jornada de trabalho ainda em 1988, quando era deputado federal constituinte. Trinta e oito anos depois, o presidente coloca novamente a pauta no centro da agenda política, agora com a proposta de reduzir de 44 para 40 horas a jornada semanal e acabar com a escala 6×1.
Na publicação, feita pelo perfil oficial do Partido dos Trabalhadores no X, o partido relembra que, na Assembleia Nacional Constituinte, Lula participou da batalha que terminou com a redução do limite semanal de trabalho de 48 para 44 horas na Constituição de 1988.
https://x.com/ptbrasil/status/2044910456444227833
“Em 88, Lula defendeu a redução da jornada de 48h para 44h semanais”, registra o PT na publicação. O resgate histórico ocorre justamente no momento em que o fim da escala 6×1 volta ao centro das negociações entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.
Lula volta a pressionar pela redução da jornada
A ofensiva de Lula pela redução da jornada de trabalho ganhou novo capítulo nesta semana. O presidente voltou a tratar do tema com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em meio à pressão para que a proposta avance na Casa.
A Fórum mostrou que o encontro entre Lula e Alcolumbre destravou a discussão sobre a escala 6×1 no Senado. A movimentação ocorre depois de meses de cobrança para que a redução da jornada entre definitivamente na pauta do Congresso.
A PEC 221/2019 propõe reduzir de 44 para 40 horas semanais o limite da jornada, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial. Como também mostrou a Fórum, Alcolumbre abriu negociação sobre a tramitação da proposta após pressão pelo fim da escala 6×1.
De 48 horas em 1988 às 40 horas em 2026
O vídeo recuperado pelo PT reforça uma linha histórica da discussão trabalhista no Brasil. Antes da Constituição de 1988, o limite semanal era de 48 horas. O texto constitucional aprovado naquele ano fixou o teto em 44 horas.
Agora, a disputa é por uma nova redução. A proposta em debate no Congresso baixa esse limite para 40 horas e assegura dois dias de descanso semanal. A mudança atinge diretamente a escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de serviço para ter apenas um de folga.
O tema se tornou uma das principais bandeiras trabalhistas do governo. Em abril, a Fórum noticiou o envio pelo governo Lula de uma proposta para reduzir a jornada para 40 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado e sem corte de salário.
A pressão política também ganhou as ruas e as redes. Lula já havia pedido mobilização das centrais sindicais e dos trabalhadores no Congresso para assegurar a aprovação do fim da escala 6×1.
Fim da escala 6×1 ganha apoio popular
A defesa da redução da jornada não se limita ao governo e às organizações sindicais. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho mostrou que 61% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1.
O dado amplia a pressão sobre o Senado, onde a tramitação passou a concentrar a disputa política em torno da mudança. O governo sustenta que a redução deve preservar os salários e ampliar o tempo disponível para descanso, convivência familiar e vida pessoal dos trabalhadores.
Ao recolocar em circulação as imagens de 1988, o PT busca ligar a atual batalha pelas 40 horas a uma reivindicação que Lula defendia antes mesmo da promulgação da Constituição. Na Constituinte, a jornada caiu de 48 para 44 horas. Quase quatro décadas depois, as 40 horas semanais e o fim da escala 6×1 voltaram ao centro da disputa no Congresso.
Vídeo resgata histórico de Lula em 88 na luta pela redução da jornada de trabalho
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