A identificação de petróleo no Amapá em aguás profundas pela Petrobras acrescentou um poderoso ponto de convergência à reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O anúncio foi feito nesta sexta-feira (14), no mesmo dia em que o senador avançou com três pautas consideradas prioritárias pelo governo federal.
Reportagem do Brasil 247 apontou a descoberta como um elemento crucial para a retomada da relação. A cronologia, porém, mostra que o degelo político já estava em curso antes do anúncio da Petrobras. Lula e Alcolumbre vinham de uma sequência de encontros e, na sexta-feira, o presidente do Senado confirmou o encaminhamento do fim da escala 6×1, da PEC da Segurança Pública e do projeto sobre minerais críticos.
Petróleo no Amapá fortalece bandeira de Davi Alcolumbre
A Petrobras informou oficialmente que identificou hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A área fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros.
A descoberta dá força a uma das principais bandeiras políticas de Alcolumbre, que há anos pressiona pelo avanço da pesquisa de petróleo na Margem Equatorial. O senador afirmou ter recebido a informação diretamente da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e divulgou uma nota comemorando o resultado.
“Estávamos certos. Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial.”
Na manifestação publicada pelo Senado, Alcolumbre classificou o momento como “histórico” para o Amapá e defendeu que uma eventual exploração seja convertida em emprego, renda e oportunidades para a população do estado.
A Petrobras, no entanto, ainda está em fase exploratória. Segundo a estatal, o intervalo com hidrocarbonetos foi identificado por perfis elétricos e indicativos em rocha, e a perfuração continua para ampliar a avaliação da área. Portanto, a descoberta ainda não significa que exista um campo comercial com volume de petróleo conhecido e pronto para produção.
Lula e Alcolumbre já haviam retomado diálogo
O anúncio da Margem Equatorial encontrou Lula e Alcolumbre em plena reconstrução da relação política. O vínculo entre os dois havia se deteriorado após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), em abril.
Nos últimos dias, porém, os dois voltaram a conversar. Como mostrou a Fórum, Alcolumbre se encontrou novamente com Lula na sexta-feira e destravou a tramitação de projetos que estavam represados no Senado.
Em nota oficial, o presidente do Senado classificou uma das reuniões com Lula como um diálogo “maduro, franco e republicano”. Na sequência, determinou o envio às comissões da PEC 221/2019, que trata do fim da escala 6×1; da PEC 18/2025, da Segurança Pública; e do PL 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
O encaminhamento, porém, não garante que as propostas serão aprovadas ou sequer votadas em plenário antes das eleições. Alcolumbre afirmou que os textos seguirão o rito ordinário do Senado e passarão pela análise das comissões.
Margem Equatorial entra na equação entre Lula e Alcolumbre
É nesse cenário que o petróleo do Amapá ganha peso político. Para Alcolumbre, a descoberta oferece um resultado concreto de uma pauta diretamente associada à sua atuação no estado. Para Lula, ocorre sob a liderança da Petrobras e em uma agenda que o próprio presidente passou a defender, condicionando a pesquisa ao cumprimento das exigências ambientais.
A convergência se soma às negociações em torno da agenda legislativa e da eleição para o comando do Senado em 2027. Segundo a Folha de S.Paulo, aliados de Alcolumbre trabalham pela recondução do senador e veem o apoio do campo governista como estratégico. Do outro lado, o Planalto pressiona pelo avanço de pautas como o fim da escala 6×1. Não há, até agora, anúncio de um acordo formal entre Lula e Alcolumbre sobre a sucessão no Senado.
A pesquisa no bloco FZA-M-59 só avançou depois que o Ibama concedeu, em outubro de 2025, licença para a perfuração exploratória. Na ocasião, a própria Petrobras ressaltou que a autorização permitia pesquisar a existência de petróleo e gás, sem representar início de produção comercial.
O achado anunciado agora muda de patamar a discussão sobre a Margem Equatorial, mas ainda exigirá novos estudos para dimensionar a acumulação e sua eventual viabilidade econômica. Politicamente, contudo, a descoberta chega em um momento preciso: enquanto Lula tenta recompor sua maioria no Congresso, Alcolumbre pode apresentar ao Amapá um resultado de uma pauta que transformou em prioridade de seu mandato.
Petróleo no Amapá reforça reaproximação de Lula e Alcolumbre
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