Petróleo no Amapá reforça reaproximação de Lula e Alcolumbre

Petróleo no Amapá reforça reaproximação de Lula e Alcolumbre
Lula e Alcolumbre; Petroleo no Amapá - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A identificação de petróleo no Amapá  em aguás profundas pela Petrobras acrescentou um poderoso ponto de convergência à reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O anúncio foi feito nesta sexta-feira (14), no mesmo dia em que o senador avançou com três pautas consideradas prioritárias pelo governo federal.
Reportagem do Brasil 247 apontou a descoberta como um elemento crucial para a retomada da relação. A cronologia, porém, mostra que o degelo político já estava em curso antes do anúncio da Petrobras. Lula e Alcolumbre vinham de uma sequência de encontros e, na sexta-feira, o presidente do Senado confirmou o encaminhamento do fim da escala 6×1, da PEC da Segurança Pública e do projeto sobre minerais críticos.
Petróleo no Amapá fortalece bandeira de Davi Alcolumbre
A Petrobras informou oficialmente que identificou hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A área fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros.
A descoberta dá força a uma das principais bandeiras políticas de Alcolumbre, que há anos pressiona pelo avanço da pesquisa de petróleo na Margem Equatorial. O senador afirmou ter recebido a informação diretamente da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e divulgou uma nota comemorando o resultado.
“Estávamos certos. Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial.”
Na manifestação publicada pelo Senado, Alcolumbre classificou o momento como “histórico” para o Amapá e defendeu que uma eventual exploração seja convertida em emprego, renda e oportunidades para a população do estado.
A Petrobras, no entanto, ainda está em fase exploratória. Segundo a estatal, o intervalo com hidrocarbonetos foi identificado por perfis elétricos e indicativos em rocha, e a perfuração continua para ampliar a avaliação da área. Portanto, a descoberta ainda não significa que exista um campo comercial com volume de petróleo conhecido e pronto para produção.
Lula e Alcolumbre já haviam retomado diálogo
O anúncio da Margem Equatorial encontrou Lula e Alcolumbre em plena reconstrução da relação política. O vínculo entre os dois havia se deteriorado após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), em abril.
Nos últimos dias, porém, os dois voltaram a conversar. Como mostrou a Fórum, Alcolumbre se encontrou novamente com Lula na sexta-feira e destravou a tramitação de projetos que estavam represados no Senado.
Em nota oficial, o presidente do Senado classificou uma das reuniões com Lula como um diálogo “maduro, franco e republicano”. Na sequência, determinou o envio às comissões da PEC 221/2019, que trata do fim da escala 6×1; da PEC 18/2025, da Segurança Pública; e do PL 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
O encaminhamento, porém, não garante que as propostas serão aprovadas ou sequer votadas em plenário antes das eleições. Alcolumbre afirmou que os textos seguirão o rito ordinário do Senado e passarão pela análise das comissões.
Margem Equatorial entra na equação entre Lula e Alcolumbre
É nesse cenário que o petróleo do Amapá ganha peso político. Para Alcolumbre, a descoberta oferece um resultado concreto de uma pauta diretamente associada à sua atuação no estado. Para Lula, ocorre sob a liderança da Petrobras e em uma agenda que o próprio presidente passou a defender, condicionando a pesquisa ao cumprimento das exigências ambientais.
A convergência se soma às negociações em torno da agenda legislativa e da eleição para o comando do Senado em 2027. Segundo a Folha de S.Paulo, aliados de Alcolumbre trabalham pela recondução do senador e veem o apoio do campo governista como estratégico. Do outro lado, o Planalto pressiona pelo avanço de pautas como o fim da escala 6×1. Não há, até agora, anúncio de um acordo formal entre Lula e Alcolumbre sobre a sucessão no Senado.
A pesquisa no bloco FZA-M-59 só avançou depois que o Ibama concedeu, em outubro de 2025, licença para a perfuração exploratória. Na ocasião, a própria Petrobras ressaltou que a autorização permitia pesquisar a existência de petróleo e gás, sem representar início de produção comercial.
O achado anunciado agora muda de patamar a discussão sobre a Margem Equatorial, mas ainda exigirá novos estudos para dimensionar a acumulação e sua eventual viabilidade econômica. Politicamente, contudo, a descoberta chega em um momento preciso: enquanto Lula tenta recompor sua maioria no Congresso, Alcolumbre pode apresentar ao Amapá um resultado de uma pauta que transformou em prioridade de seu mandato.

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