Em meio a alertas ambientais, Lula visita Amapá para acompanhar descoberta de petróleo na Margem Equatorial

Em meio a alertas ambientais, Lula visita Amapá para acompanhar descoberta de petróleo na Margem Equatorial
margem Equatorial - Presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visita nesta segunda-feira (17) o município de Oiapoque, no extremo norte do Amapá, para conhecer o navio-sonda da Petrobras que opera na Margem Equatorial. A agenda foi confirmada pelo Palácio do Planalto três dias após a estatal anunciar a descoberta de indícios de petróleo e gás no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa amapaense. A visita reúne figuras centrais da política nacional e estadual em torno de uma descoberta que, se confirmada em escala comercial, pode redesenhar a estratégia energética do país, mas que já acumula anos de controvérsia ambiental.
Lula visita navio-sonda no Amapá
Lula deve deixar Brasília às 8h e seguir direto para Oiapoque, onde embarcará no navio-sonda da Petrobras ancorado no bloco FZA-M-59. A agenda foi divulgada pelo Palácio do Planalto e inclui declarações do presidente antes do retorno à capital, previsto para as 19h50. A imprensa, no entanto, não deve ter acesso ao navio por razões de espaço e segurança, segundo informações divulgadas antes da viagem.
A comitiva presidencial reúne nomes de peso: o governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A presença simultânea dessas três figuras ao lado de Lula não é apenas protocolar: ela condensa, em uma única agenda, os eixos político, institucional e econômico que cercam a exploração na Margem Equatorial.
Descoberta de indícios de petróleo e planos da Petrobras
Na sexta-feira (14), a Petrobras anunciou que identificou hidrocarbonetos no primeiro poço perfurado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A perfuração ainda está em andamento, e a confirmação da viabilidade comercial depende de testes adicionais, mas técnicos da estatal avaliam como alta a probabilidade de se tratar de petróleo em volume relevante.
A descoberta é considerada estratégica pela companhia. A Margem Equatorial se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e ganhou atenção internacional após descobertas expressivas de petróleo na Guiana e no Suriname, países vizinhos. A Petrobras vê a região como uma das principais apostas para recompor reservas e compensar uma futura queda na produção do pré-sal, hoje responsável pela maior parte do petróleo extraído no Brasil.
A estatal pretende perfurar outros três poços na mesma área, mas cada nova perfuração depende de autorização do Ibama. A licença para o primeiro poço foi concedida pelo órgão em outubro do ano passado, após mais de uma década de espera e a exigência de medidas de proteção ambiental e de resposta a acidentes. “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, afirmou Chambriard após o anúncio.
Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país.
Repercussão política e ambiental
A descoberta e a visita presidencial reacendem um debate que se arrasta há anos: os riscos da exploração de petróleo em uma região de alta sensibilidade ambiental, com impactos potenciais sobre comunidades indígenas e tradicionais que vivem no entorno da Foz do Amazonas. A ênfase do governo e da Petrobras na “segurança energética” e na “recomposição de reservas” como justificativas centrais para avançar na Margem Equatorial não apaga as perguntas que órgãos de controle ambiental e movimentos socioambientais colocam sobre os riscos específicos da exploração em águas ultraprofundas nessa região.
A visita também carrega um peso político explícito. Segundo informações divulgadas antes da agenda, Lula e Alcolumbre retomaram uma relação que esteve abalada por quase quatro meses. Um dos acordos costurados entre os dois incluiria apoio explícito do presidente à reeleição de Clécio Luís, que aparece atrás nas pesquisas. A descoberta de petróleo no estado governado por Clécio e presidido no Senado por Alcolumbre, ambos do União Brasil, cria um terreno fértil para essa reaproximação.
A informação sobre a descoberta já levou setores do governo e do PT a considerar mudanças no regime de exploração das reservas da Margem Equatorial. Alcolumbre, em nota divulgada logo após o anúncio da Petrobras, classificou o resultado como “um dia histórico para o Amapá e para o Brasil”. O entusiasmo político, porém, contrasta com a ausência, até agora, de respostas públicas sobre como o avanço da exploração será conciliado com a proteção das populações e dos ecossistemas que a região abriga.

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