Davi Alcolumbre (União-AP), Hugo Motta (Republicanos-PB) e Arthur Lira (PP-AL) evitam embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e mantêm pontes abertas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na largada da campanha de 2026. O movimento passa pelas disputas estaduais e pela composição do Congresso que sairá das urnas em outubro.
Reportagem de O Globo publicada nesta segunda-feira (17) detalha movimentos distintos dos três caciques. Motta declarou apoio à reeleição de Lula. Alcolumbre retomou o diálogo com o Planalto. Lira, mesmo depois de receber o apoio de Flávio em Alagoas, não anunciou voto no candidato do PL à Presidência.
O cenário contrasta com o ambiente político de 2025, quando Motta e Alcolumbre protagonizaram embates com o governo Lula no Congresso. Com a campanha nas ruas, as alianças estaduais e a composição das duas Casas passaram a pesar nas decisões.
Hugo Motta declara apoio a Lula na Paraíba
Hugo Motta tornou pública sua posição na disputa presidencial. Na segunda-feira (10), anunciou apoio à reeleição de Lula na Paraíba, depois de o Republicanos decidir pela neutralidade nacional e não aderir formalmente à candidatura de Flávio Bolsonaro.
“A nossa posição está sendo aqui revelada em primeira mão de apoio ao presidente Lula em seu projeto de reeleição”, afirmou Motta ao anunciar a decisão.
A escolha também se cruza com a disputa paraibana. Motta busca a reeleição e seu grupo trabalha pela candidatura de Nabor Wanderley ao Senado. A neutralidade adotada pelo Republicanos nacionalmente permitiu que diretórios e lideranças estaduais definissem seus próprios palanques.
Além da eleição de outubro, Motta é citado nas articulações para a presidência da Câmara em 2027, quando os parlamentares eleitos escolherão a nova direção da Casa.
Alcolumbre retoma diálogo com Lula
Davi Alcolumbre também voltou a se aproximar do Planalto depois de um período de atritos. Segundo O Globo, dois encontros recentes com Lula levaram aliados a falar em retomada do diálogo entre os dois.
A movimentação ocorre enquanto o campo bolsonarista discute nomes para disputar o comando do Senado em 2027. Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) aparecem entre os nomes citados nas articulações da direita para a próxima legislatura.
Alcolumbre foi eleito para comandar o Senado no biênio 2025-2026 com 73 votos, em uma composição que reuniu partidos governistas e de oposição. O resultado da eleição deste ano será decisivo para a formação da maioria que escolherá a próxima direção da Casa.
Lira recebe apoio de Flávio em Alagoas
Arthur Lira vive uma situação diferente. Flávio Bolsonaro anunciou apoio à sua candidatura ao Senado por Alagoas em 6 de agosto, depois de escolher Alfredo Gaspar para integrar sua chapa presidencial.
A saída de Gaspar da disputa estadual alterou a corrida pelas duas vagas de Alagoas no Senado e beneficiou Lira, que recebeu publicamente o apoio de Flávio. Até agora, porém, não houve anúncio equivalente de Lira em favor da candidatura presidencial do PL.
O movimento ocorre em um estado onde as alianças nacionais se misturam a uma disputa própria. Lira concorre ao Senado, enquanto JHC disputa o governo. No campo ligado a Lula, Renan Filho concorre ao governo e Renan Calheiros busca novo mandato no Senado.
A Fórum mostrou os efeitos da escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro sobre a disputa eleitoral em Alagoas.
Partidos do Centrão ficam fora da chapa de Flávio
O distanciamento de Alcolumbre, Motta e Lira ocorre após Flávio tentar ampliar sua aliança com partidos do Centrão. Republicanos, União Brasil e PP foram procurados durante a montagem dos palanques, mas não aderiram nacionalmente à candidatura do PL.
A decisão deixou os grupos estaduais livres para construir acordos próprios. Isso permite, por exemplo, que lideranças das mesmas siglas estejam com Flávio em determinados estados e com Lula ou outros candidatos em diferentes regiões.
Para a campanha presidencial, a ausência dessas legendas também afeta a divisão de recursos partidários e o tempo de propaganda eleitoral, definidos a partir das regras e das bancadas previstas na legislação.
Os movimentos de Motta, Alcolumbre e Lira ocorrem, portanto, em meio a duas disputas simultâneas: a eleição presidencial e a formação do Congresso que assumirá em 2027. Nos três casos, as decisões passam pelas alianças estaduais e pela composição das futuras maiorias na Câmara e no Senado.
Alcolumbre, Motta e Lira traem Flávio Bolsonaro por medo de perder eleição
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