O que esperar do depoimento de Vorcaro sobre ataques ao BC e pagamentos a ex-servidores

O que esperar do depoimento de Vorcaro sobre ataques ao BC e pagamentos a ex-servidores
Vorcaro - Daniel Vorcaro - Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

A Polícia Federal (PF) aguarda, nesta quinta-feira (20), o depoimento de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, em dois inquéritos que investigam uma campanha organizada de ataques ao Banco Central (BC) nas redes sociais e o pagamento de propina a ex-servidores da autarquia para favorecer os interesses do banco.
O depoimento será realizado por videoconferência e é o primeiro desde que Vorcaro trocou sua equipe de defesa e contratou novos advogados para tentar fechar um acordo de colaboração premiada.
A investigação gira em torno do chamado “Projeto DV”, nome atribuído pela Polícia Federal ao plano que, segundo os investigadores, foi criado para promover campanhas de influência em defesa de Vorcaro e do Banco Master, contratando influenciadores e jornalistas para publicar conteúdos favoráveis ao banco e questionar decisões do Banco Central.
A PF aponta que influenciadores recebiam propostas de até R$ 2 milhões para participar do esquema. Antes mesmo de conhecer os detalhes da oferta, os alvos precisavam assinar acordos de confidencialidade com multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Quem recusava participar também passava a ser monitorado.
Segundo os investigadores, integrantes do grupo utilizavam informações privadas obtidas de maneira irregular para pressionar e intimidar jornalistas, empresários e outras pessoas consideradas obstáculos aos interesses do banqueiro.
A PF quer esclarecer o nível de participação de Vorcaro na criação, no financiamento e na execução do projeto, incluindo a origem dos recursos usados para bancar as campanhas e a contratação dos influenciadores. O caso tramita no STF.
Suspeita de propina a ex-servidores do Banco Central
Vorcaro também depõe sobre sua relação com dois ex-servidores afastados do Banco Central: Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão, e Paulo Sérgio Souza, ex-diretor de Fiscalização.
Os dois acompanhavam de perto a situação do Banco Master até a liquidação da instituição e são suspeitos de receber propina para atender aos interesses do banco dentro da autarquia.
Ambos foram alvo de buscas na Operação Compliance Zero após a PF identificar que receberam dinheiro de Vorcaro e mantinham conversas de WhatsApp com o ex-banqueiro nas quais teriam atuado para defender os interesses do Master.
A apuração da PF, registrada na decisão do ministro André Mendonça que autorizou as buscas, indica que Souza e Belline atuavam como “consultores” e “empregados” de Vorcaro, repassando informações, revisando documentos a serem entregues ao BC e orientando o banqueiro sobre como se comportar em reuniões com o regulador.
O que a PF apurou até agora
A investigação ganhou novos contornos em julho, quando a PF afirmou ao STF ter identificado uma estrutura organizada para influenciar debates públicos e pressionar adversários do grupo de Vorcaro.
A PF já ouviu os demais investigados no inquérito sobre os ex-servidores e ainda precisa tomar os depoimentos de Vorcaro e de Belline Santana.
O atual diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino, depôs em 25 de maio e afirmou que não havia comunicado os dois ex-servidores sobre a liquidação do Master por causa do clima de desconfiança e do receio de vazamentos que existia no Banco Central.
A defesa de Paulo Sérgio negou que ele tenha recebido “qualquer vantagem indevida” em razão de seu cargo e, segundo o advogado Odel Antun, informado ao Valor Econômico, afirmou que o ex-servidor “defendia internamente a liquidação do Banco Master desde março de 2025, portanto bem antes de a diretoria do Bacen ter seguido este caminho”.
A data mencionada pela defesa, porém, apresenta inconsistência com o cronograma da liquidação e não pôde ser confirmada de forma independente. O ponto segue em aberto na apuração.

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