Costa Neto diz que Michelle “vai dar a eleição a Flávio Bolsonaro” e puxa coro em ato público; vídeo

Costa Neto diz que Michelle “vai dar a eleição a Flávio Bolsonaro” e puxa coro em ato público; vídeo
- Michelle em vídeo na convenção de Flávio Bolsonaro, ao lado de Costa Neto (Beto Barata/PL.)

Atuando como camisa 10 de Lula, como classificam até mesmo aliados, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, fez mais uma declaração bombástica creditando à Michelle Bolsonaro (PL) uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições durante ato público no Distrito Federal.
No vídeo, em palanque com figuras como Izalci Lucas (PL-DF) e José Roberto Arruda (PSD-DF), que foi condenado e preso por corrupção, Costa Neto anunciou Michelle Bolsonaro com entusiasmo.
“A mulher que vai dar a eleição para Flávio Bolsonaro: Michelle Bolsonaro”, gritou Costa Neto, puxando o coro em seguida. “Michelle, Michelle, Michelle…”.
A situação causou constrangimento entre os aliados no palanque, que reagiram com palmas em maio ao entusiasmo do público. O caso ainda reacende as rusgas entre Michelle Bolsonaro e o enteado Flávio, que recentemente encenaram uma trégua por razões eleitorais.
https://x.com/Pri_usabr1/status/2090417085109162267
O camisa 10 de Lula
Presidente do PL, Costa Neto é conhecido pelas sucessivas controvérsias judiciais e pela ligação a alguns dos maiores escândalos políticos da história recente do Brasil.
Ao longo dos anos, participou das diversas reestruturações partidárias que culminaram na formação do atual Partido Liberal. Foi também o principal articulador da filiação do ex-presidente Jair Bolsonaro à legenda, em novembro de 2021, movimento que transformou o partido no principal abrigo institucional do bolsonarismo.
Depois das eleições de 2022, Valdemar passou a integrar investigações relacionadas às articulações para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no contexto da chamada trama golpista que culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Embora não tenha sido denunciado como integrante do núcleo central da suposta organização criminosa descrita pela Procuradoria-Geral da República, seu nome apareceu nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Segundo a Polícia Federal, o PL financiou, por iniciativa de sua direção, uma auditoria conduzida pelo Instituto Voto Legal (IVL), posteriormente utilizada para sustentar alegações de supostas inconsistências nas urnas eletrônicas e questionar o resultado das eleições. A investigação aponta que essa estratégia integrou o conjunto de ações destinadas a desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.
O caso da pepita de ouro
Durante a operação de busca e apreensão realizada na residência de Costa Neto, em fevereiro de 2024, no âmbito da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado, a Polícia Federal encontrou uma pepita de ouro de aproximadamente 39 gramas, com teor de pureza de 91,76%, avaliada em R$ 1.687,71 à época.
Segundo laudo pericial da PF, a peça apresentava características compatíveis com ouro proveniente de jazida primária, sem processamento industrial, típico da atividade garimpeira. A defesa afirmou tratar-se de uma “relíquia” de baixo valor mantida havia muitos anos.
Também foi encontrada uma arma de fogo cuja documentação estava vencida e cujo registro estava em nome de seu filho, fato que levou à prisão em flagrante de Costa Neto, posteriormente revogada.
A pedido da PF, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) realizaram exames para tentar determinar a procedência da pepita. O estudo concluiu que não era possível identificar sua origem geográfica, em razão da ausência de minerais superficiais suficientes para rastrear sua proveniência, embora tenha mantido aberta a hipótese de origem em atividade garimpeira.
A investigação passou a apurar eventual crime de usurpação de bem mineral da União, mas a origem exata do material permaneceu indeterminada.
Valdemar também costuma chamar atenção por declarações polêmicas envolvendo o sistema eleitoral e o Estado Democrático de Direito, como afirmações de que as urnas eletrônicas seriam confiáveis para eleições proporcionais, mas não para as presidenciais. Também defendeu reiteradamente a concessão de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e fez críticas frequentes ao Supremo Tribunal Federal em razão das investigações envolvendo Jair Bolsonaro.

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