Os resultados das eleições deste domingo (4) trouxeram um resultado importante e significativo: a representação LGBT+ aumentou e o número de pessoas candidatas eleitas quase dobrou, passando de 18, em 2022, para 35 neste ano.
Juntas, essas candidaturas receberam 10.746.125 votos e conquistaram cadeiras no Senado Federal, na Câmara dos Deputados, nas assembleias legislativas e na Câmara Distrital.
Além dos números, o resultado revelou uma presença política que se consolida. São mulheres, pessoas negras, pessoas trans e travestis, pessoas bissexuais e pansexuais ocupando espaços de decisão e levando para a política diferentes experiências, agendas e perspectivas.
O levantamento do Instituto Plena Cidadania (IPC), organização da sociedade civil dedicada ao desenvolvimento de infraestrutura democrática no Brasil e responsável pelo VoteLGBT, identificou 519 candidaturas LGBT+ concorrendo em 2026, contra 327 em 2022, crescimento de 58,7%.
No Congresso Nacional, a representação LGBT+ na Câmara dos Deputados mais do que triplicou, passando de quatro para 13 pessoas eleitas, enquanto o Senado manteve uma representante LGBT+. Nos legislativos estaduais e distrital, foram eleitas outras 21 pessoas.
O avanço também foi marcado pela diversidade de perfis entre as pessoas eleitas. Das 35 pessoas LGBT+ eleitas, 27 são mulheres (77,1%) e 22 são pessoas negras (62,9%). Sete mulheres trans e travestis também conquistaram cadeiras, o equivalente a uma em cada cinco lideranças LGBT+ eleitas em 2026.
Distribuição
As candidaturas LGBT+ estiveram presentes nas 27 unidades da federação, e as pessoas eleitas passaram de oito estados, em 2022, para 14, ampliando a presença LGBT+ no mapa da representação política brasileira.
O Sudeste concentra 20 das 35 cadeiras, mas sua participação caiu de 72,2% para 57,1%. O Nordeste passou de duas para sete eleitas, enquanto Centro-Oeste e Sul passaram de uma para quatro cada. No Norte, não houve eleitas. Estados que elegeram pessoas LGBT+ pela primeira vez: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Santa Catarina.
A representação partidária permanece concentrada no campo progressista. Todas as 35 pessoas LGBT+ eleitas concorreram por partidos de esquerda (PT e PSOL reúnem 31 das cadeiras, com 17 e 14 eleitas, respectivamente, seguidos pelo PCdoB, com três, e pelo PV, com uma).
Essa concentração reflete a estrutura de financiamento de campanha: no levantamento do IPC sobre financiamento das campanhas de 2024, menos da metade das eleitas LGBT de partidos de centro e direita contaram com financiamento de campanha vindo de seus partidos. Entre as eleitas filiadas a partidos de esquerda, mais de 80% obtiveram repasse.
Avanço eleitoral apesar da violência política
O mesmo processo eleitoral que ampliou a representação LGBT+ também foi marcado pela violência política. Em pesquisa do Instituto Plena Cidadania com 197 candidaturas, 94% relataram ter sofrido algum episódio de violência política durante a disputa eleitoral, e 81,8% relataram episódios considerados graves.
Os ataques, campanhas de ódio e assédio nas redes sociais foram relatados por 68% das candidaturas e aparecem entre as formas mais frequentes de violência. Em média, cada pessoa relatou aproximadamente seis situações de violência política, enquanto 48% disseram ter passado por sete ou mais episódios.
A violência também se intensifica entre as lideranças que chegaram aos espaços de poder. Entre as 35 pessoas LGBT+ eleitas, 11 responderam ao questionário de pesquisa, e todas relataram ter sofrido ao menos um episódio de violência política grave.
Ataques nas redes sociais e silenciamento foram relatados por todas as respondentes, enquanto 90,9% relataram ataques verbais, ofensas ou discursos LGBTfóbicos.
Entre as eleitas respondentes que sofreram violência, 72,7% afirmaram ter denunciado ao menos um dos episódios.
Mais votos, mais representação
O relatório também mostra que a cidadania LGBT+ aparece entre as prioridades de 87,9% das pessoas eleitas, acompanhada por temas como luta antirracista, direitos das mulheres, educação, meio ambiente, direitos trabalhistas, moradia e combate à fome.
Em 2026, candidaturas bissexuais e pansexuais também tiveram crescimento expressivo: passaram de 103 para 207 candidaturas, enquanto o número de eleitas subiu de sete para 16, quase metade das cadeiras LGBT+ conquistadas.
“Os resultados dessas eleições mostram que a violência não foi capaz de impedir o avanço da representação LGBT+ na política brasileira. Pelo contrário: temos mais pessoas LGBT+ eleitas, mais diversidade nos espaços de poder e milhões de brasileiros e brasileiras dizendo, pelo voto, que querem essa presença na democracia. Isso é uma conquista que precisa ser celebrada”, destacou Gui Mohallem, da direção executiva do Instituto Plena Cidadania.
“As lideranças LGBT+ estão resistindo, chegando, ocupando, construindo e apontando caminhos. Talvez seja justamente isso que a gente precisa reconhecer agora: quando o mundo parece procurar novas respostas para velhos problemas, a experiência, a diversidade e a capacidade de transformação das pessoas LGBT+ são parte das respostas possíveis. A esperança insiste porque ela já está acontecendo: nas urnas, na cidadania e nos espaços de decisão”, acrescentou.
O relatório
O relatório “A esperança que insiste: um retrato LGBT+ nas Eleições de 2026”, do Instituto Plena Cidadania, combina o mapeamento ativo realizado pelo VoteLGBT com dados oficiais da Justiça Eleitoral.
O levantamento considerou candidaturas LGBT+ identificadas a partir de autodeclaração e registros eleitorais e reuniu informações sobre perfil, distribuição territorial, pautas, resultados eleitorais e violência política.
Ao todo, 197 candidaturas responderam ao questionário utilizado para analisar a Violência Política de Gênero, Raça e LGBTfóbica (VPGR LGBTfóbica). O relatório completo apresenta ainda a metodologia de mapeamento e os dados consolidados das eleições de 2026. Relatório disponível a partir das 18h desta segunda (5).
Instituto Plena Cidadania e VoteLGBT
O Instituto Plena Cidadania é uma organização que desenvolve projetos voltados à democracia, cidadania e direitos humanos, fortalecendo iniciativas de participação política, justiça social e proteção democrática.
Já o VoteLGBT é uma iniciativa criada em 2014 que conecta eleitoras e eleitores brasileiros a lideranças LGBT+ comprometidas com os direitos humanos, a democracia e a representatividade política.
Confira abaixo todos os representantes LGBT+ eleitos
ELEITAS LGBT 2026
Número de candidaturas LGBT+ que tiveram êxito quase dobra; confira todas as eleitas
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