Poucas horas após ser eleita a deputada estadual mais votada de São Paulo, Eduarda Campopiano (PL) publicou um ataque transfóbico contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL) em seu perfil no X na madrugada desta segunda (5).
A parlamentar se referiu a Hilton, uma mulher trans reeleita com votação histórica, como “homem biológico”, questionando se ela saberia “como é nunca ocupar o espaço da mulher mais votada do estado”. O post transfóbico viralizou rapidamente, acumulando mais de 1 milhão de visualizações e 28 mil curtidas. O crime de transfobia está previsto na Lei de Racismo (Lei 7.716/1989) desde 2019 com pena de reclusão de 1 a 3 anos, além de multa.
O ataque transfóbico
Por volta da 1h20 de segunda-feira (5), com as urnas recém-fechadas e os resultados ainda sendo apurados, Campopiano abriu seu perfil no X e direcionou uma mensagem direta a Erika Hilton. “Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs”, escreveu a candidata de extrema direita.
Apesar de ter se lançado à disputa eleitoral, direito conquistado pelo movimento feminista, a deputada recém-eleita se autointitulada “a maior inimiga das feministas” e construiu sua campanha em cima dessa contradição.
Campopiano e Erika Hilton
Eduarda Campopiano, de 23 anos, foi a deputada estadual mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo neste pleito, com 1.956.238 votos. Apadrinhada pelo deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL), a deputada extremista carrega uma agenda abertamente conservadora e retrógrada. Em entrevista concedida na noite da eleição, afirmou que pretende barrar propostas progressistas e que a disputa está “só começando”.
Erika Hilton, alvo do ataque, fez história no mesmo domingo: foi reeleita deputada federal com 1.596.472 votos, tornando-se a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados em toda a história do Brasil. Presidente da Comissão da Mulher na Câmara, Hilton é uma das principais vozes da esquerda no Congresso e defende pautas como o fim da escala de trabalho 6×1.
Até a publicação das reportagens que embasam esta nota, Erika Hilton não havia se manifestado publicamente sobre o ataque de Campopiano. O silêncio ocorre em um contexto de pressão acumulada: no dia anterior à eleição, em 4 de outubro, Hilton precisou atrasar sua saída para votar após receber uma ameaça de morte via e-mail, enviada por meio do serviço Onion Mail, que dificulta o rastreamento. Segundo a assessoria da parlamentar, o autor afirmou ter acesso a dados pessoais e ao endereço dela. “Eu sei tudo sobre você, eu vou te matar em breve”, dizia um dos trechos, seguido de referência a um “banho de sangue”. Hilton registrou boletim de ocorrência, reforçou a segurança e conseguiu votar às 16h35, acompanhada de seguranças.
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