Em entrevista à Folha de S.Paulo, Regina disse que sua entrada no governo e sua saída do cargo continuam sendo motivos de questionamentos. “Tem gente que não me perdoa até hoje de ter ido. Tem gente que não me perdoa até hoje de ter voltado”, declarou.
Regina permaneceu 74 dias à frente da Secretaria Especial da Cultura, após encerrar um contrato de cinco décadas com a TV Globo. Sua passagem pelo governo foi marcada por polêmicas, entre elas uma entrevista à CNN em que comentou as mortes provocadas pela ditadura militar.
Na ocasião, ao ser questionada sobre o período da repressão, a atriz afirmou: “A humanidade não para de morrer. Se você falar de vida, do lado tem morte”. A declaração provocou reação de artistas e entidades ligadas à defesa da democracia. Uma carta aberta de repúdio foi assinada por mais de 500 profissionais do setor cultural.
Após deixar a secretaria, Bolsonaro chegou a anunciar que Regina assumiria a presidência da Cinemateca Brasileira, mas a nomeação não chegou a acontecer.
Na entrevista, a atriz afirmou que não considera que sua experiência no governo tenha causado danos à sua carreira ou à sua vida pessoal. “Não teve custo nenhum. Eu saí de lá depois de 74 dias, voltei para minha vida e segui magnificamente bem”, disse.
Apesar de afirmar que não pretende voltar a ocupar um cargo público, Regina não descartou uma nova participação política. “Eu estou aberta. Eu estou viva. Quando a pessoa está viva, ela está aberta para o que der e vier”, afirmou.
Questionada sobre a eleição presidencial e uma possível candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, Regina preferiu não revelar seu voto. “Você está me perguntando em quem eu vou votar? Fale do que fale, você vai concluir que eu vou votar nele ou não vou. A resposta é essa. Eu não vou responder em quem eu vou votar”, declarou.
A atriz, que se tornou uma das principais apoiadoras públicas de Bolsonaro antes de assumir o cargo no governo, agora tenta deixar a experiência política como parte de sua trajetória. A passagem, porém, continua sendo associada ao período em que artistas e o setor cultural enfrentaram uma série de conflitos com a gestão bolsonarista.
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