R$ 1,4 bilhão para o submarino nuclear: programa da Marinha supera Gripen e vira prioridade da Defesa brasileira

R$ 1,4 bilhão para o submarino nuclear: programa da Marinha supera Gripen e vira prioridade da Defesa brasileira
- Foto: Montagem/MB

O Programa Nuclear da Marinha passou a concentrar o maior volume de investimentos entre os projetos estratégicos de defesa do Brasil. Em 2025, a iniciativa recebeu R$ 1,4 bilhão em recursos pagos, valor que representa um aumento de aproximadamente 4,5 vezes em relação ao ano anterior, quando foram destinados R$ 311 milhões.
O crescimento fez o programa ultrapassar o projeto dos caças F-39 Gripen, que desde 2016 ocupava a liderança entre os principais investimentos militares do país.
Os dados fazem parte de levantamento baseado no Siga Brasil, com valores corrigidos pelo IPCA, que mostra uma mudança na distribuição dos recursos destinados aos grandes projetos das Forças Armadas.
O avanço ocorre enquanto a Marinha trabalha no desenvolvimento das tecnologias necessárias para o submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto, considerado um dos projetos estratégicos mais ambiciosos da área de defesa brasileira.
Tecnologia nuclear no centro do projeto
Os recursos destinados ao programa não representam apenas a construção do submarino. O dinheiro é aplicado no desenvolvimento do ciclo do combustível nuclear, no reator de propulsão e na estrutura do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), instalado no Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo.
Do total investido, cerca de R$ 953 milhões foram direcionados a empresas contratadas, principalmente para serviços especializados de engenharia.
O LABGENE tem como objetivo testar, em terra, sistemas que futuramente serão utilizados no submarino, permitindo a validação da tecnologia antes da integração à embarcação.
A fase considerada mais complexa ainda está em andamento, com a futura integração do reator e dos sistemas nucleares ao submarino.
Gripen perde espaço no ranking
Enquanto o programa nuclear ganhou recursos, o projeto dos caças Gripen registrou queda nos investimentos. Em 2025, recebeu R$ 965 milhões, contra R$ 1,6 bilhão no ano anterior.
Com isso, o programa caiu para a quarta posição entre os maiores investimentos militares considerados no levantamento.
O Brasil contratou inicialmente 36 aeronaves, desenvolvidas em parceria com a sueca Saab. Até agora, 11 caças foram entregues, e a previsão é que o último avião do contrato inicial seja recebido apenas em 2032.
Além dos recursos destinados ao programa nuclear, o próprio projeto do submarino Álvaro Alberto recebeu outros R$ 649 milhões em 2025. As duas frentes aparecem separadas no orçamento porque envolvem etapas diferentes do empreendimento.
O Programa Nuclear da Marinha desenvolve combustível, reator e tecnologia de propulsão. Já o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) envolve a construção da embarcação, instalações industriais e outros componentes.
Apesar do volume destinado aos projetos estratégicos, a maior parte do orçamento da Defesa continua concentrada em despesas correntes. Em 2025, o Brasil destinou cerca de R$ 133,3 bilhões para a área, sendo 77,7% para gastos com pessoal, enquanto apenas 8,25% foram classificados como investimentos.
A mudança no ranking mostra uma alteração dentro da parcela destinada aos grandes projetos militares, com o programa nuclear da Marinha assumindo o posto de principal destino dos recursos estratégicos.

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