O candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, abriu nesta segunda-feira (24) a série de entrevistas da TV Globo com presidenciáveis e foi questionado sobre um dos principais pontos de sua gestão em Minas Gerais: a evolução da dívida pública do estado.
A entrevista ocorreu um dia depois de Zema ter decidido não participar do primeiro debate presidencial, realizado pela Band. A equipe do candidato afirmou que a ausência ocorreu para que ele pudesse se preparar para a sabatina da Globo.
Logo no início da conversa, a apresentadora Renata Vasconcellos questionou o ex-governador sobre o crescimento da dívida mineira durante seus quase oito anos de mandato.
“O senhor governou Minas Gerais nos últimos quase 8 anos e a dívida do Governo de Minas saltou de 88 bilhões pra mais de 180 bilhões. Eu pergunto ao senhor porque o eleitor deve acreditar que o senhor, se for eleito presidente, vai conter o crescimento da dívida pública federal se o senhor não conseguiu diminuir o tamanho da dívida do Governo de Minas?”, perguntou a jornalista.
Dados divulgados pela Secretaria de Fazenda de Minas Gerais mostram que a dívida pública estadual chegou a R$ 201,09 bilhões em novembro de 2025, quase o dobro do valor registrado no início do governo Zema. Em janeiro de 2019, o passivo total do estado era de R$ 114,7 bilhões, sendo R$ 88,7 bilhões referentes à dívida com a União.
O valor devido ao governo federal alcançou R$ 177,49 bilhões, impulsionado pelo acúmulo de juros durante o período em que Minas Gerais ficou amparada por uma liminar do Supremo Tribunal Federal que suspendeu o pagamento das parcelas da dívida entre o fim de 2018 e outubro de 2024.
Questionado sobre como pretende conter a dívida pública federal, que já passa de R$ 10 trilhões, Romeu Zema (Novo) foi questionado sobre o aumento da dívida de Minas Gerais durante seus quase oito anos de governo.
“Antes, gastava-se muito mais do que arrecadava… A dívida está… pic.twitter.com/3pu70hqNd4
— GloboNews (@GloboNews) August 25, 2026
Zema atribui crescimento a governos anteriores
Na resposta, Zema afirmou que a dívida foi construída por administrações anteriores e disse que não realizou novos empréstimos durante seu governo.
“A dívida de Minas foi toda feita no passado. Eu não fiz nenhum empréstimo durante o meu governo. Ela foi herdada dos anos 1990 e cresceu muito por causa dos juros de agiota cobrados pelo governo federal”, afirmou.
O candidato também disse que o estado realizou pagamentos relacionados a aposentados e servidores públicos e afirmou que a dívida representa hoje uma parcela menor para Minas do que no momento em que assumiu o governo.
Durante a resposta, Zema foi interrompido algumas vezes por não responder diretamente ao questionamento inicial sobre a comparação entre sua gestão estadual e a administração da dívida federal.
Na entrevista, o candidato apresentou propostas de perfil liberal, defendendo simplificação das leis trabalhistas, criação de um regime de trabalho por hora e privatização de empresas estatais.
Sobre a Previdência, afirmou que não pretende alterar a idade mínima neste momento, mas disse que mudanças poderiam ocorrer conforme o aumento da expectativa de vida e a ampliação da arrecadação.
A sabatina marcou a primeira grande exposição nacional de Zema nesta etapa da corrida presidencial. A Globo seguirá com entrevistas dos demais candidatos ao longo da semana.
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