Pesquisa revela qual figura política eleitores de Lula acham que ajuda mais o presidente

Pesquisa revela qual figura política eleitores de Lula acham que ajuda mais o presidente
Entrevista de Lula à Record teve mais audiência que debate na Band - Foto: Ricardo Stuckert

Uma pesquisa qualitativa divulgada na sexta-feira (21), “Retratos do Progressismo – 2026”, realizada pelo Núcleo Ypykuéra e Observatório Político e Eleitoral (OPEL) em 10 capitais brasileiras, traz um retrato das percepções do eleitorado que votou em Lula em 2022.
O estudo foi realizado com grupos divididos em dois perfis distintos. Um é composto por eleitores que votaram em Lula no primeiro e no segundo turnos de 2022 e já estão decididos a votar novamente em sua reeleição em 2026. Já o outro é formado por eleitores que votaram em Lula apenas no segundo turno de 2022 e permanecem indecisos para a eleição deste ano.
A análise revela diferenças importantes entre os grupos. Os eleitores que votaram em Lula nos dois turnos apresentam maior identificação ideológica com a esquerda e valorizam mais temas como soberania e política externa. Já os eleitores que chegaram a Lula apenas no segundo turno demonstram uma postura mais crítica e pragmática, além de maior sensibilidade a questões econômicas de impacto direto, especialmente impostos.
Em relação a pautas, a educação se destacou como marca do governo. “Agora, na pesquisa de 2026, isso se manifestou nas políticas mais positivas que as pessoas identificam com o governo Lula: a soma das respostas ligadas à educação totalizam 25,2%, com destaque para o programa Pé de Meia, que foi segunda resposta mais mencionada, com 12,5″, diz o relatório. ”
“E é fundamental enfatizar que a política mais citada pelas pessoas nos grupos foi o fim da Escala 6 x 1, com 14,7% das menções. Isso reflete não apenas o fato de que o tema está ‘quente’ na conjuntura, mas também o impacto positivo que essa conquista tem e terá nas elaborações políticas do eleitorado que votou em Lula em 2022 e provavelmente votará nele em 2026”, aponta ainda o estudo.
Quanto às políticas do governo Lula que as pessoas desaprovam, a resposta com mais incidência entre as pessoas foi “não sabe” ou “não lembra”, com 29% na média geral. “Depois, com o debate, algumas pessoas mudavam de opinião. A chamada ‘taxa das blusinhas’ foi não apenas a política com mais menções, com 16%, como também aquela que foi falada primeiro em todos os grupos. Isso expressa o debate que a oposição fez contra o governo Lula no tema dos impostos. Vale o registro também de que segurança pública e inflação – outros dois dos principais flancos do atual mandato – não receberam muitas menções, ficando com 4,7% e 3,6% no geral”, detalha o documento.
Parlamento e lideranças políticas
Apesar de um forte apoio genérico à renovação política (70%), a pesquisa mostra uma visão matizada. Muitos eleitores valorizam o histórico e o trabalho dos parlamentares, com 19,5% citando o histórico do candidato como principal razão de voto. A necessidade de conhecer a trajetória de novos nomes antes de votar, mencionada por 18,4% dos participantes, sugere que a renovação é vista como a busca por nomes sólidos, não uma ruptura total.
No quesito lideranças, o estudo buscou investigar a questão da renovação do campo progressista. Uma das perguntas instava as pessoas nos grupos a falar positivamente de lideranças que ajudam o Lula. O destaque foi para a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), com 19,7% na média geral, seguida pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, com 13,9% e pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, com 8,2%.
“Erika Hilton e Fernando Haddad crescem consideravelmente em menções entre quem votou em Lula no 1º e no 2º turno – 22,9% e 18,6% – e caem entre quem votou em Lula apenas no 2º turno, com 15,4% e 7,7%. Isso já era esperado, uma vez que o eleitor de Lula nos dois turnos apresenta um vínculo mais direto com a esquerda. O interessante é que, entre os três primeiros, Guilherme Boulos mantenha um padrão próximo de menções nos dois perfis, com 8,6% e 7,7%< detalha o estudo.
Os autores do estudo também falam sobre as razões que explicariam o posicionamento dos nomes mais citados. “O primeiro lugar em menções para Erika Hilton, com 19,7% das respostas, reflete várias dimensões da renovação da esquerda: a pauta do fim da escala 6 x1, a capacidade de compreender a dinâmica nas redes e a representatividade. O segundo lugar de Fernando Haddad, com 13,9%, dialoga com a valorização de trajetórias sólidas e com a pauta da educação. Por fim, o terceiro lugar de Guilherme Boulos, com 8,2%, expressa uma busca por qualidades que as pessoas enxergam em Lula e buscam nos políticos do pós-lulismo, tais como a proximidade com o povo e aspecto humano.””
Metodologia
A pesquisa qualitativa foi realizada por meio de grupos focais presenciais em dez capitais brasileiras: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo .
O levantamento ouviu 198 pessoas, 101 mulheres e 97 homens, e foram analisadas 2.973 menções codificadas durante os grupos focais.

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