Dark Horse: como Dino acelera a investigação contra Flávio Bolsonaro, que mente há quase 100 dias sobre contrato

Dark Horse: como Dino acelera a investigação contra Flávio Bolsonaro, que mente há quase 100 dias sobre contrato
- Flávio Bolsonaro e o ministro do STF, Flávio Dino (Vitor Souza e Evagisto Sá / AFP)

Em meio às mentiras e recuos ao ser confrontado com o áudio que o mostra cobrando Daniel Vorcaro, pivô do escândalo financeiro do Banco Master, de cerca de 24 milhões de dólares prometidos ao clã, Flávio Bolsonaro (PL) prometeu apresentar em 30 dias o contrato e a prestação de contas que indicaria que o dinheiro seria para suposto financiamento do filme Dark Horse, sobre o pai, Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu no dia 19 de maio e passados 98 dias, o senador não cumpriu a promessa e segue mentindo sobre a relação com o banqueiro, que enviou efetivamente 10 milhões de dólares ao fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, operador financeiro de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
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Indagado sobre o tema nesta segunda-feira (24), Flávio esbravejou e irritado mentiu que “a prestação de contas foi dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo e a própria imprensa vazou”. No entanto, uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode dar celeridade à investigação, que corre a passos lentos sob a tutela da polícia comandada por Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos).
https://x.com/RomuloBDias/status/2092053167953297612
Dino é relator do inquérito sobre o chamado Orçamento Secreto na corte e, em decisão também nesta segunda-feira, autorizou que a Polícia Federal tenha acesso aos dados da investigação conduzida pela polícia paulista sobre Dark Horse.
Os dados foram coletados durante uma investigação que envolve a Go Up Entertainment, produtora do filme de Bolsonaro, e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), ambas ligadas a Karina Ferreira da Gama, que recebeu cerca de R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares de vereadores, deputados estaduais e federais, entre eles Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo da cinebiografia ao lado de Eduardo Bolsonaro.
Além disso, a ONG Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 108 milhões da prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes, para implantação de 5.000 pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista, prestando um serviço inconsistente e que também é alvo de investigação.
Dinheiro público em Dark Horse?
Com a decisão, Dino autorizou a PF a investigar a destinação de emendas parlamentares ao ecossistema de ONGs comandado por Karina Gama, que pode ter sido a intermediadora de dinheiro público que supostamente teria sido usado para produzir Dark Horse.
Com isso, cai por terra a justificativa de Flávio Bolsonaro de que os milhões de Daniel Vorcaro teria sido usados para o mesmo fim: financiar o filme sobre o pai.
O orçamento de R$ 134 milhões para a cinebiografia supera o valor investido para produção de 15 dos últimos 20 vencedores do Oscar. As suspeitas é de que o dinheiro possa ter sido usado para financiar a vida de luxo de Eduardo Bolsonaro nos EUA e possivelmente irrigado uma consultoria para a campanha de Flávio Bolsonaro.
Caso essas suspeitas sejam comprovadas, a PF pode usar as investigações sobre as emendas no inquérito que investiga o financiamento do filme sob a relatoria de André Mendonça, que tem agido para blindar Flávio Bolsonaro, enquanto alimenta as manchetes da mídia liberal com vazamentos sobre o caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em julho, Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar o financiamento de Dark Horse. A nova decisão de Flávio Dino amplia o conjunto de informações disponíveis para os investigadores, ao permitir o acesso aos dados reunidos pela Polícia Civil de São Paulo.
Com isso, a PF poderá cruzar informações das duas apurações e verificar se há relação entre recursos públicos, emendas parlamentares e a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A decisão de Dino, no entanto, deve fazer com que o colega, alçado à corte por Jair Bolsonaro, saia da inércia nas investigações sobre o filme do ex-presidente.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue mentindo sobre a promessa de abrir o contrato e a prestação de contas sobre os milhões de dólares de Daniel Vorcaro, tratado pelo senador como “meu irmão” no áudio revelado pelo site The Intercept.
A decisão de Dino, no entanto, deve fazer com que o colega, alçado à corte por Jair Bolsonaro, saia da inércia nas investigações sobre o filme do ex-presidente.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue mentindo sobre a promessa de abrir o contrato e a prestação de contas sobre os milhões de dólares de Daniel Vorcaro, tratado pelo senador como “meu irmão” no áudio revelado pelo site The Intercept.

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