PF investiga aporte milionário no Banco Master em prefeitura bolsonarista de MS

PF investiga aporte milionário no Banco Master em prefeitura bolsonarista de MS
- Foto: Camilla Nascimento e Adriane Lopes durante agenda oficial da Prefeitura de Campo Grande. Foto:...

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (25) a Operação Presciência, em Campo Grande (MS), cidade governada pela prefeita bolsonarista Adriane Lopes (PP), apoiada por Jair Bolsonaro na eleição municipal de 2024, para investigar possíveis irregularidades na aplicação de R$ 1,2 milhão da Previdência municipal em investimentos do Banco Master.
A operação teve como alvo a vice-prefeita e secretária municipal de Assistência Social, Camilla Nascimento, cujo gabinete e residência foram alvo de mandados de busca e apreensão. A investigação apura decisões relacionadas aos investimentos do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG).
Ao todo, a PF cumpriu seis mandados de busca e apreensão e determinou medidas de quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. As ordens foram autorizadas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande.
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Auditoria apontou possíveis irregularidades
Segundo a Polícia Federal, a investigação começou a partir de um relatório de auditoria elaborado pelo Ministério da Previdência Social, que identificou possíveis irregularidades no processo que levou à aplicação dos recursos em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
A suspeita é de que servidores envolvidos na decisão de investimento tenham deixado de cumprir procedimentos técnicos e administrativos previstos para esse tipo de operação, expondo recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões a riscos.
Os investigados podem responder pelos crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.
Vice-prefeita já presidiu instituto de Previdência
Camilla Nascimento, odontóloga, presidiu o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) entre agosto de 2017 e 2024. Durante o período, também integrou entidades ligadas à gestão previdenciária de servidores públicos.
A investigação, porém, não aponta até o momento que a vice-prefeita seja acusada formalmente dos crimes investigados. A operação busca reunir documentos e informações sobre as decisões tomadas na aplicação dos recursos.
Município afirma que recuperou valor investido
Em nota, o IMPCG afirmou que Campo Grande foi uma das primeiras cidades do país a garantir o ressarcimento dos R$ 1,2 milhão aplicados junto ao Banco Master, evitando prejuízo aos cofres públicos.
Segundo o instituto, o valor foi recuperado em março deste ano após uma ação judicial de compensação de créditos, depois que os recursos ficaram retidos com a liquidação da instituição financeira.
A prefeitura também afirmou que as aplicações seguem a Resolução CMN 4.963, norma que estabelece regras para investimentos dos regimes próprios de Previdência Social, além da política anual aprovada pelo conselho deliberativo do instituto.
A investigação segue em andamento.

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