Edgard Corona, fundador da Smart Fit, entrou no financiamento da campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo com uma doação de R$ 100 mil. O empresário foi alvo, em 2020, de busca e apreensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes no inquérito das fake news do Supremo Tribunal Federal (STF).
O repasse eleitoral foi feito em 20 de agosto e aparece na prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na base oficial reconciliada pela Fórum até 24 de agosto, essa era a única contribuição eleitoral registrada em nome de Corona neste ano, sem repasses a diretórios partidários.
Seis anos depois da operação da Polícia Federal, o nome do empresário voltou a aparecer nos autos. Em julho de 2026, Moraes autorizou os advogados de Corona a consultar as provas já reunidas para conhecer as “investigações a ele relacionadas”. O ministro preservou, porém, o sigilo sobre diligências que ainda estavam em andamento.
A medida não significa condenação nem comprova que Corona tenha financiado a produção de notícias falsas. O fundador da Smart Fit negou essa acusação desde que foi alvo da investigação.
O inquérito das fake news e a operação contra Corona
Corona entrou no radar do Supremo em maio de 2020, quando a Polícia Federal cumpriu uma série de mandados contra empresários, blogueiros e políticos investigados por uma possível estrutura voltada à produção, divulgação e financiamento de ataques contra integrantes da Corte.
No caso do empresário, Moraes autorizou a apreensão de celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos. Também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal, além do bloqueio de contas em redes sociais.
Parte do material que levou os investigadores até Corona saiu do grupo de WhatsApp “Brasil 200 Empresarial”, que reunia empresários alinhados politicamente ao então presidente Jair Bolsonaro.
A Fórum já havia mostrado quem integrava o Brasil 200 antes mesmo da operação da PF. O grupo reunia nomes do empresariado e se tornou um dos espaços de articulação política da direita bolsonarista naquele período.
Mensagens obtidas pelos investigadores mostravam discussões sobre produção e impulsionamento de vídeos nas redes sociais. Em uma delas, Corona compartilhou material contra o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, durante uma disputa empresarial em torno da reforma tributária, e sugeriu a necessidade de recursos para marketing e divulgação.
Foi nesse contexto que Moraes apontou a necessidade de aprofundar a investigação sobre empresários que poderiam estar financiando a disseminação de conteúdos contra o Supremo. Corona apareceu entre os alvos ao lado de nomes como Luciano Hang.
A operação buscava justamente esclarecer se havia uma estrutura organizada de financiamento por trás das publicações. A condição de investigado, portanto, não equivale a uma conclusão de que Corona tenha bancado uma rede de fake news.
Corona negou financiamento de fake news
Após a operação, o fundador da Smart Fit afirmou que não havia colocado dinheiro na produção ou divulgação de notícias falsas.
Em artigo publicado em junho de 2020, Corona disse que a investigação demonstraria que ele não financiou fake news e fez uma defesa pública das instituições democráticas.
No mês seguinte, o empresário também procurou se distanciar de uma iniciativa de Jair Bolsonaro no Supremo. Quando o então presidente tentou recorrer contra medidas impostas a aliados no inquérito, Corona informou que apenas seu próprio advogado estava autorizado a representá-lo perante a Corte.
Até o material público localizado pela reportagem, não há condenação de Corona por financiamento de fake news.
O que há, seis anos depois, é uma nova decisão de Moraes relacionada ao empresário. Ao liberar em julho o acesso da defesa ao material já documentado, o ministro mencionou expressamente as “investigações a ele relacionadas” e deixou de fora as diligências ainda não concluídas.
R$ 100 mil para a campanha de Tarcísio
É nesse cenário que Corona reaparece agora em outro registro público: o financiamento eleitoral.
Os R$ 100 mil enviados a Tarcísio foram transferidos diretamente para a campanha do governador. Corona não aparece, na fotografia da base analisada pela Fórum, como doador de outros candidatos ou de órgãos partidários em 2026.
O empresário construiu sua fortuna no setor de academias. Fundador da Smart Fit, ele permaneceu durante anos no comando executivo do grupo, que expandiu sua presença para diversos países da América Latina.
Em fevereiro deste ano, Corona deixou a função de CEO. A direção executiva passou para Diogo Ferraz de Andrade Corona, enquanto Edgard assumiu a presidência do Conselho de Administração, segundo a estrutura de governança divulgada pela própria Smart Fit.
Agora, além de permanecer no topo da companhia que fundou, Corona também aparece entre os financiadores privados da tentativa de Tarcísio de Freitas de permanecer no Palácio dos Bandeirantes.
Fundador da Smart Fit, doador de Tarcísio de Freitas foi alvo de busca no inquérito das fake news
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!