Apesar do ex-governador de Minas Gerais e atual deputado federal Aécio Neves ter anunciado no início de agosto sua decisão de não concorrer a cargos eletivos, aliados do PSDB e do PDT intensificaram a pressão nesta semana para que ele volte ao jogo eleitoral, culminando na renúncia de um candidato que abriu o caminho legal para sua eventual postulação.
A possível reviravolta ganhou força nesta quarta-feira (26), quando Marcelo Heringer, irmão do presidente estadual do PDT, Mário Heringer, protocolou seu pedido de renúncia à candidatura ao Senado junto à Justiça Eleitoral. Como o PSDB faz parte da coligação do PDT, que tem Alexandre Kalil como candidato ao governo de Minas, a desistência permite que a chapa substitua o candidato, mesmo após o encerramento do prazo para registro de candidaturas.
Aécio Neves havia justificado sua ausência do pleito de 2026 afirmando que se dedicaria a fortalecer a bancada tucana. Na ocasião, afirmou que buscava libertar o Brasil da “ruína e do martírio da polarização”, prometendo um projeto liberal na economia e inclusivo no social.
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“Essa decisão não significa, no entanto, uma despedida da vida pública, das futuras disputas eleitorais e, muito menos, um distanciamento das causas que sempre defendi e continuarei defendendo”, prometeu o tucano, em nota oficial divulgada em 4 de agosto.
Pressão pela candidatura
No entanto, a cúpula dos partidos aliados não aceitou a decisão do tucano passivamente. Em nota pública divulgada nesta quarta, antes do anúncio da desistência de Marcelo Heringer, os presidentes estaduais de PSDB e PDT fizeram um apelo direto ao ex-governador.
“Nosso estado precisa, neste momento, de experiência, capacidade de articulação e força política em Brasília. Aécio reúne essas condições. Ao longo de quase quatro décadas de vida pública, construiu uma trajetória que lhe confere profundo conhecimento de Minas, do Congresso Nacional e das grandes questões brasileiras”, diz o texto. “Aécio, escute esse chamado. Minas precisa de você no Senado”.
A articulação para sensibilizar o ex-governador mineiro vai além das notas oficiais. O site O Fator apurou que o deputado federal terá reuniões cruciais com aliados, incluindo o candidato ao governo Alexandre Kalil e Gustavo Galassi, o atual representante do PSDB na corrida ao Senado, que também deverá renunciar caso Aécio aceite o convite.
O movimento contaria ainda com o apoio de figuras fora do mundo político, como o empresário Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, que teria reforçado o convencimento em um encontro recente.
Legalmente, a substituição de candidatos desistentes é permitida até 20 dias antes do pleito, ou seja, até 14 de setembro, considerando as eleições em 4 de outubro.
Reviravolta em Minas pode trazer Aécio Neves de volta para a disputa ao Senado
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