Romeu Zema é de esquerda ou direita? Entenda o posicionamento do candidato à presidência

Romeu Zema é de esquerda ou direita? Entenda o posicionamento do candidato à presidência
- Romeu Zema - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Não há grande mistério sobre o lugar ocupado por Romeu Zema no espectro político. Candidato do Partido Novo à Presidência da República nas eleições de 2026, o ex-governador de Minas Gerais é de direita, e suas propostas econômicas o colocam entre os representantes mais radicais do ultraliberalismo na atual disputa pelo Palácio do Planalto.
Zema defende a venda de empresas públicas, uma nova reforma da Previdência, a redução da estrutura do Estado e a criação de regras trabalhistas paralelas à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Fora da economia, adotou um discurso de endurecimento penal, intensificou as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e prometeu anistiar Jair Bolsonaro e os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Sua candidatura tenta revestir esse projeto com a imagem de um empresário avesso à “velha política” e preocupado com eficiência. As medidas defendidas por Zema, estão longe de ser decisões meramente técnicas: fazem parte de um programa ideológico que pretende reduzir a atuação do Estado, ampliar a presença da iniciativa privada e flexibilizar direitos sociais e trabalhistas.
Leia: Ronaldo Caiado é de esquerda ou direita? Entenda o posicionamento do candidato à Presidência
Empresário chegou à política na onda antipetista
Romeu Zema construiu sua carreira no grupo empresarial de sua família, que atua nos setores de varejo, concessionárias, combustíveis e serviços financeiros. Até entrar na política, era praticamente desconhecido fora de Minas Gerais.
Em 2018, foi eleito governador pelo Novo em meio à onda antipetista que também levou Jair Bolsonaro à Presidência. Na campanha, apresentou-se como um gestor vindo da iniciativa privada e distante dos partidos tradicionais.
Zema foi reeleito em primeiro turno em 2022, com 56,18% dos votos válidos. Depois da vitória, declarou apoio formal a Bolsonaro contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa presidencial. Ele procurou preservar a imagem de administrador mais moderado, mas manteve proximidade com algumas das principais bandeiras econômicas e políticas da direita bolsonarista.
Leia: Clariana Barão é de esquerda ou de direita? Entenda o posicionamento da candidata à presidência
“Privatizar tudo” resume seu projeto econômico
Na economia, Zema está à direita até mesmo de setores tradicionais do centro liberal. O candidato declarou que pretende “privatizar tudo”, sem preservar o que chamou de “vacas sagradas” do setor público.
Seu programa inclui a venda de empresas estatais, inclusive companhias estratégicas, como a Petrobras. O argumento é que os recursos obtidos com as privatizações ajudariam a reduzir a dívida pública.
Críticos desse modelo apontam que a estratégia utiliza a venda de patrimônio público para enfrentar uma dívida de caráter permanente. Zema também propõe uma nova reforma da Previdência, que alcançaria trabalhadores urbanos, servidores, militares e a população rural. Uma das possibilidades defendidas é elevar automaticamente a idade mínima para a aposentadoria conforme o aumento da expectativa de vida.
Na prática, a medida poderia fazer com que os brasileiros precisassem trabalhar por mais tempo para conseguir se aposentar, inclusive em um país marcado por fortes desigualdades regionais, etarismo no mercado e diferenças expressivas na expectativa de vida.
Leia: Renan Santos é de esquerda ou direita? Entenda a ideologia do candidato à presidência
Proposta pode flexibilizar direitos trabalhistas
Outra bandeira de Zema é a criação de um regime de contratação paralelo à CLT. Trabalhador e empresa poderiam escolher entre seguir a legislação atual ou aderir a um modelo com maior liberdade de negociação.
A ideia é apresentada como uma “modernização” das relações de trabalho. A chamada “livre negociação”, entretanto, desperta questionamentos sobre a desigualdade de poder entre as partes: de um lado está quem depende do salário; do outro, quem controla a contratação.
O modelo defendido pelo candidato abriria espaço para regras diferentes das proteções garantidas atualmente pela CLT, inclusive em relação à jornada de trabalho. Zema ainda defende uma reforma administrativa e a revisão de programas sociais. Seu discurso econômico prioriza a contenção das despesas públicas, as privatizações e a redução da estrutura estatal como caminhos para aumentar a eficiência do governo.
Segurança pública com inspiração em Bukele
Na segurança, o candidato aposta em uma retórica ainda mais dura. Zema defende a redução da maioridade penal, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e o aumento do período de prisão para condenados por crimes graves.
O ex-governador também propôs construir um “superpresídio” no Norte do país para receber lideranças de facções e citou como inspiração o governo de Nayib Bukele, em El Salvador.
Bukele ganhou popularidade com a queda da criminalidade no país, mas seu governo também é alvo de denúncias de prisões arbitrárias, violações de direitos humanos e enfraquecimento das instituições democráticas.
Zema chegou a afirmar que criminosos devem ser enfrentados “com arma”. A declaração sintetiza uma política de segurança fortemente baseada na repressão e no endurecimento das punições — exceto claro, para os condenados do 8 de janeiro.
Leia: Edmilson Costa é de esquerda ou de direita? Entenda o posicionamento do candidato à presidência
Zema é bolsonarista?
Zema tenta apresentar-se como uma alternativa ao bolsonarismo, mas incorporou parte importante das bandeiras defendidas por esse campo político.
Além de ter apoiado Bolsonaro em 2022, o candidato promete conceder anistia ao ex-presidente e aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro. Também questiona as decisões tomadas contra os envolvidos na trama golpista e sustenta que houve perseguição política.
O candidato intensificou ainda suas críticas ao STF, aproximando-se do discurso utilizado por Bolsonaro contra as instituições responsáveis pelas investigações e pelos julgamentos relacionados à tentativa de golpe.
Em entrevista ao Jornal Nacional, Zema também criticou a obrigatoriedade da vacinação, embora tenha afirmado confiar na ciência e ter recebido as doses contra a Covid-19. A posição volta a aproximá-lo de uma pauta que ganhou força entre apoiadores de Bolsonaro durante a pandemia.
As diferenças entre os dois aparecem sobretudo na forma de apresentação política. Zema prefere comunicar suas propostas por meio de uma linguagem empresarial. Ao mesmo tempo, disputa diretamente o eleitorado bolsonarista e faz acenos frequentes a essa base.
Leia: Samara Martins é de esquerda ou direita? Entenda o posicionamento do candidato à presidência
Afinal, onde Zema está no espectro político?
Romeu Zema é um político de direita, ultraliberal na economia e conservador em áreas como segurança pública e Justiça. Sua aproximação com pautas centrais do bolsonarismo também posiciona sua candidatura além da direita liberal tradicional em diferentes temas.
A defesa ampla das privatizações, a flexibilização das relações trabalhistas, uma nova reforma previdenciária e o discurso punitivista mostram que o projeto de Zema não se resume a administrar melhor o Estado. Sua proposta envolve modificar profundamente o papel do poder público e reduzir sua atuação direta em diferentes áreas da economia e da proteção social.
Zema tenta vender-se como representante de uma direita empresarial, eficiente e menos estridente. Por trás da imagem de gestor, está um programa de redução da presença estatal na economia combinado ao fortalecimento de políticas repressivas na segurança — menos Estado na economia e mais Estado na punição.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!