O ativista pela causa palestina e candidato a deputado federal pela Federação PSOL/Rede, Thiago Ávila, obteve na Justiça três vitórias contra calúnias e difamações proferidas contra ele nas redes sociais. As decisões, foram concedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), pela 1ª Vara do Juizado Especial Cível do Fórum Central de São Paulo e pelo 3º Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro, e determinam a remoção de conteúdos difamatórios e a veiculação de direito de resposta do ativista em um dos perfis que fizeram as acusações.
Direito de resposta após acusações de “jihadismo” e “terrorismo”
A primeira decisão favorável a Thiago foi proferida pelo TRE de São Paulo pela Juíza Auxiliar da Propaganda Eleitoral, desembargadora Cláudia Fonseca Fanucchi, que julgou procedente o pedido de direito de resposta movido por Thiago contra o influenciador digital Michel Gamerman (Micha Gamerman) e o jornalista Alberto Mauricio Danon.
Os réus publicaram, no dia 22 de julho de 2026, vídeo em que associavam o candidato a termos como “jihadista”, “amigo de grupos terroristas” e “quartel general jihadista”, além de divulgar o endereço de seu comitê de campanha como suposta “grave ameaça à segurança da comunidade”. O conteúdo alcançou mais de 400 mil seguidores.
Em sua decisão, a juíza destacou que as afirmações extrapolaram os limites da crítica política legítima, configurando difamação e imputação criminosa.
“A publicação não se circunscreveu à reprovação das posições políticas defendidas pelo representante (…) pois o qualificou como ‘jihadista’ e ‘amigo de grupos terroristas’, apresentou o local destinado às atividades de campanha como possível ‘quartel general jihadista'”, afirmou a magistrada.
O vídeo com o direito de resposta foi publicado pelos perfis @michagamerman, @havaya.associacao e @amdanon no último domingo (23) e ficará no ar por 52 dias. Na publicação, Thiago rebate os ataques feitos contra ele.
“As afirmações de que sou ‘jihadista’, ‘amigo de grupos terroristas’ e de que meu comitê de campanha constitui um ‘quartel general jihadista’ ou uma ameaça à comunidade judaica não correspondem à realidade. Minha atuação relacionada à população de Gaza possui natureza política e humanitária, e meu comitê destina-se exclusivamente ao desenvolvimento das atividades legais de campanha eleitoral”, diz o ativista.
https://www.instagram.com/reel/DcYztj4pLh_/?utm_source=ig_web_copy_link&igsi=MzRlODBiNWFlZA==
Remoção de vídeos com mais de 1,3 milhão de visualizações
Já a segunda vitória judicial de Thiago foi dada pela 1ª Vara do Juizado Especial Cível do Fórum Central de São Paulo. Em decisão liminar, o juiz Caio Fagundes Lampa determinou a remoção de conteúdos difamatórios publicados pelo empresário Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e CEO da G4 Educação.
Em vídeos que somam mais de 1,3 milhão de visualizações, Gomes imputava falsamente ao ativista a prática de crimes e utilizava expressões gravemente ofensivas. O empresário, no entanto, cumpriu parcialmente a ordem judicial, removendo o vídeo do Instagram, mas ainda não comprovou a remoção do conteúdo do Facebook.
A defesa de Thiago Ávila já protocolou petição requerendo a aplicação de multa diária e a expedição de ofício à Meta para a remoção direta do conteúdo.
Remoção de vídeo com acusações falsas de antissemitismo
Por fim, a terceira decisão judicial a favor de Thiago foi proferida pela Justiça do Rio de Janeiro. Em decisão, a juíza Simone de Freitas Marreiros, do 3º Juizado Especial Cível da Comarca da Capital, determinou a remoção do conteúdo publicado pelo youtuber Ricardo Albuquerque Pinto, conhecido como Peter Turguniev, em que acusa Thiago de antissemitismo.
A intimação do réu para cumprimento da liminar, no entanto, ainda está pendente. A Justiça chegou a realizar múltiplas tentativas de localização, sem sucesso. A defesa do ativista já apresentou novo endereço do réu e requereu nova tentativa de citação, bem como a inclusão da Google Brasil Internet Ltda. no polo passivo da ação para assegurar o cumprimento da ordem de remoção.
Importância das decisões da Justiça
O advogado do ativista, Tiago Guilherme Faria, destaca a gravidade dos casos e a importância das vitórias na Justiça. “As decisões judiciais são claras: trata-se do reconhecimento de violências e da reparação de uma honra destruída por acusações falsas e criminosas. Difamação e injúria não são crítica política”, afirma.
“A Justiça está sendo acionada para fazer valer a lei, e seguiremos firmes para que a verdade prevaleça e os responsáveis sejam devidamente responsabilizados. A liberdade de expressão é um pilar da democracia, mas não é um salvo-conduto para a calúnia”, acrescenta o advogado.
Já Thiago ressaltou que em sua trajetória, sempre atuou pela paz e pelos direitos humanos, e que as acusações contra ele são “criminosas e falsas”. “A Justiça reconheceu isso em três instâncias diferentes, e a verdade está sendo restabelecida. Seguirei firme na campanha, com a consciência tranquila e o apoio da Justiça”, diz o ativista.
Thiago Ávila, ativista sequestrado por Israel, vence três ações na Justiça contra ataques nas redes
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!