De R$ 495 milhões a um Fiat Uno: veja o ranking de patrimônio das chapas presidenciais de 2026

De R$ 495 milhões a um Fiat Uno: veja o ranking de patrimônio das chapas presidenciais de 2026
De R$ 495 milhões a um Fiat Uno: veja o ranking de patrimônio das chapas presidenciais de 2026 1

Ranking: as 13 chapas apresentadas para a disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026 declararam, juntas, R$ 1,25 bilhão em patrimônio à Justiça Eleitoral. O dinheiro, porém, está longe de ser distribuído de maneira uniforme: apenas Pablo Marçal e Leonardo Avalanche, do PRTB, concentram R$ 645,2 milhões, ou 51,5% de todos os bens informados pelas 26 pessoas analisadas.
Os números fazem parte de levantamento do Fórum Investiga, realizado a partir das declarações patrimoniais disponíveis na base de candidatos das eleições de 2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram cruzados os bens dos 13 nomes apresentados para a Presidência com os de seus respectivos candidatos a vice.
Infográfico
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Levantamento do Fórum Investiga. Valores rechecados em 26 de agosto de 2026. As declarações patrimoniais podem ser retificadas pelos candidatos durante o processo eleitoral. Nota metodológica: Pela regra do TSE, os bens costumam ser declarados pelo valor histórico de aquisição, o que pode subdimensionar o preço de mercado atual de imóveis e participações societárias.
O fenômeno dos vices bilionários e as criptomoedas
A auditoria dos dados revela uma característica que desaparece quando os bens dos cabeças de chapa são analisados isoladamente: em quase metade das candidaturas (seis das 13 chapas), quem declarou mais bens foi o candidato a vice-presidente. Isso ocorre no PRTB, DC, Missão, PCB, PSTU e PCO.
A distorção mais gritante, que afeta o topo do ranking, vem justamente do PRTB. A liderança financeira não é garantida por Pablo Marçal, mas por seu vice. Leonardo Avalanche declarou R$ 495,22 milhões, valor que supera com folga o patrimônio individual de qualquer presidenciável. Desse montante, impressionantes R$ 491,17 milhões estão registrados em bitcoin e outras criptomoedas, o que representa mais de 99% da riqueza declarada pelo candidato.
O valor atrelado a Marçal, atualmente em R$ 149,99 milhões, é fruto de uma retificação. No registro inicial, o empresário informou equivocadamente possuir R$ 7,4 bilhões. Vale lembrar que a presença de seu nome na base do TSE não anula sua inelegibilidade até 2032 por crimes eleitorais cometidos na campanha de 2024, e sua candidatura segue pendente de aprovação pela Corte.
Lançamento genérico e medalha de ouro
A concentração de riqueza segue aguda entre os líderes. PRTB, Avante (de Augusto Cury) e Novo (de Romeu Zema) reúnem, juntos, aproximadamente R$ 1,10 bilhão, ou 88% de todo o valor declarado nas eleições.
Ao esmiuçar as declarações, o Fórum Investiga encontrou registros inusitados que chamam a atenção pela forma como foram informados à Justiça Eleitoral. O presidenciável Wilson Grassi, do Democrata, listou R$ 50 milhões em uma única entrada genérica na categoria “Outros Bens e Direitos”, misturando imóveis financiados e participações societárias sem detalhar o valor individual de cada item.
Na chapa do Novo, o vice Eduardo Girão declarou R$ 9,91 milhões na categoria “ações”, mas a descrição do próprio ativo revela se tratar de um depósito bancário no exterior de US$ 1,802 milhão. A divergência de preenchimento burla levantamentos automatizados de transparência baseados apenas em categorias.
Outro detalhe excêntrico surge na chapa do Missão. O candidato a vice, Coronel Medina, tem um patrimônio quase duas vezes maior que o do titular Renan Santos, puxado por um item bastante específico: uma medalha de ouro maciço avaliada em R$ 200 mil.
O abismo financeiro: do Lago Sul ao Fiat Uno
Após o bloco das chapas que superam a casa dos R$ 50 milhões (PRTB, Avante, Novo, PSD e Democrata), a escala financeira cai de forma brusca. Chapas tradicionalmente polarizadoras aparecem lado a lado no meio do ranking.
Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar (PL) somam R$ 8,75 milhões, valor inflado por uma casa de R$ 6,23 milhões do senador no Lago Sul, área nobre de Brasília. Logo em seguida aparece a chapa de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, com R$ 8,07 milhões, concentrados majoritariamente em planos de previdência VGBL e fundos de investimento.
A parte inferior do levantamento expõe o abismo entre os concorrentes. Enquanto o topo da tabela guarda meio bilhão em ativos virtuais, a chapa da Unidade Popular, que ocupa a última posição, sobrevive financeiramente com os R$ 33 mil declarados por Samara Martins: um Fiat Uno Vivace 2016 e singelos R$ 4 mil em uma caderneta de poupança.

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