O nome de Letícia Caetano dos Reis aparece como uma das conexões investigadas entre o entorno profissional de Flávio Bolsonaro e o núcleo empresarial ligado a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões investigado pela Polícia Federal.
Letícia é administradora da empresa Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, escritório do senador e candidato à Presidência da República.
Segundo documentos apresentados à CPMI do INSS, ela ocupa a função desde 16 de abril de 2021, data de abertura da empresa.
A relação que chamou a atenção da CPMI, porém, não está apenas no escritório de advocacia. Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, contador que, segundo elementos reunidos pela Polícia Federal e reproduzidos em requerimentos da comissão, aparece como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes na empresa Camilo & Antunes Limited, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Quem é Letícia Caetano dos Reis
Letícia Caetano dos Reis passou a administrar o escritório de Flávio Bolsonaro em 2021. A empresa tem capital social declarado de R$ 10 mil e foi registrada no mesmo endereço da mansão adquirida pelo senador naquele ano, no Lago Sul, em Brasília, imóvel avaliado em aproximadamente R$ 5,97 milhões à época. Essas informações constam dos requerimentos apresentados à CPMI.
Em entrevista concedida à Agência Pública em 2022, Letícia afirmou que chegou ao escritório por indicação do advogado Willer Tomaz de Souza, advogado que virou manchete após a publicação de uma foto com líderes políticos do Centrão e o caso da Mansão de Angra, batalha judicial com o jogador Richarlison.
A própria relação entre Willer Tomaz, Letícia Caetano dos Reis e Alexandre passou a ser considerada relevante pelos investigadores. O advogado atuou em processos envolvendo Alexandre Caetano e empresas ligadas a ele.
Documentos analisados pela Polícia Federal e reproduzidos em requerimentos da CPMI também apontaram que Tomaz movimentou R$ 45,5 milhões entre maio e novembro de 2021 e fez um pagamento de R$ 120 mil a Milton Salvador de Almeida Júnior, identificado nas investigações como operador financeiro ligado ao “Careca do INSS”.
O irmão de Letícia Caetano dos Reis e o “Careca do INSS”
Segundo relatório da Polícia Federal citado pelos parlamentares, Alexandre era contador de empresas relacionadas a Antônio Carlos Camilo Antunes e aparece como sócio do empresário na Camilo & Antunes Limited, uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.
A empresa adquiriu quatro imóveis no Brasil em 2024, em operações que totalizaram R$ 11,05 milhões. O requerimento apresentado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirma que a estrutura empresarial é investigada no contexto de possíveis mecanismos de blindagem e ocultação patrimonial relacionados ao esquema.
Alexandre, contador ligado ao escritório de Flávio Bolsonaro, foi preso no âmbito das investigações sobre as fraudes previdenciárias.
É importante fazer uma distinção: o parentesco entre Letícia e Alexandre e a relação profissional de Letícia com Flávio são fatos documentados; isso, por si só, não comprova que Letícia tenha participado das fraudes do INSS ou que Flávio Bolsonaro tenha cometido qualquer crime relacionado ao esquema. A conexão é justamente objeto de investigação e de pedidos feitos por parlamentares.
O que a CPMI do INSS investigou
A CPMI apresentou mais de um requerimento para convocar Letícia Caetano dos Reis e aprofundar a investigação sobre seus vínculos profissionais e financeiros.
Um dos documentos afirma que ela é administradora do escritório de Flávio Bolsonaro e irmã de Alexandre, apontado pela PF como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes. A partir disso, o requerimento sustenta que seria necessário esclarecer uma possível conexão entre o senador e o núcleo empresarial do “Careca do INSS”.
Também foram apresentados pedidos para obter Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e quebrar os sigilos bancário e fiscal de Letícia. Os requerimentos abrangiam períodos que começavam em 2019 ou, no caso de pedidos específicos, na data de criação do escritório de Flávio, em abril de 2021.
A comissão chegou a incluir os pedidos relacionados a Letícia em sua pauta. A Câmara dos Deputados registrou que estavam previstos requerimentos de quebra de sigilo bancário e fiscal dela, destacando justamente que Letícia era administradora do escritório de Flávio e irmã de Alexandre Caetano.
No entanto, os requerimentos de convocação e quebra de sigilo de Letícia não foram efetivamente apreciados pela CPMI do INSS. O sistema oficial do Senado registra os pedidos como “não apreciados”.
A relação, portanto, permanece no campo das conexões investigadas, e não de uma conclusão judicial de que Letícia Caetano dos Reis ou Flávio tenham participado do esquema.
O que está documentado é uma cadeia de relações: Letícia administrava o escritório de Flávio Bolsonaro; seu irmão Alexandre é apontado pela PF como sócio do “Careca do INSS” em uma offshore; e o advogado que, segundo Letícia, a indicou para o escritório de Flávio também aparece em documentos da investigação relacionados a Alexandre e a um operador ligado a Camilo Antunes. Foi esse conjunto de vínculos que levou parlamentares a tentar convocá-la e obter seus dados financeiros.
Até o momento, porém, não há nas fontes consultadas uma conclusão de que Letícia tenha participado das fraudes contra aposentados e pensionistas.
O ponto central da investigação parlamentar era justamente verificar se as conexões profissionais, familiares e financeiras indicavam algum vínculo adicional entre o escritório de Flávio Bolsonaro e o núcleo comandado por Antônio Carlos Camilo Antunes.
Letícia Caetano dos Reis: quem é a administradora de Flávio Bolsonaro citada na CPMI do INSS
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