Lula rebate questão sobre dívida pública no JN: “Eu deixei esse país crescendo 7,5%”

Lula rebate questão sobre dívida pública no JN: “Eu deixei esse país crescendo 7,5%”
- O presidente Lula - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante a sabatina no Jornal Nacional nesta quinta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi questionado sobre a situação das contas públicas, o crescimento da dívida pública, os juros e a necessidade de medidas de ajuste fiscal. A pergunta abordou o aumento da dívida para mais de R$ 10 trilhões e a relação entre o endividamento, o custo do crédito e os investimentos.
Em sua resposta, Lula rejeitou a ideia de que seu governo não tenha compromisso com as contas públicas e afirmou que sua trajetória política é marcada pela responsabilidade fiscal.
“Você pode dizer presente nunca, o senhor foi o único presidente na história do Brasil que fez superávit de primário durante oito anos do seu primeiro mandato”, afirmou.
O presidente também disse que, durante esse período, o Brasil foi o único país do G20 a registrar esse resultado por oito anos consecutivos.
“No país do G20, eu fui o único que fez superávit de primário durante oito anos. Nunca tive problema fiscal nesse país”, declarou.
Lula relaciona dívida ao baixo crescimento
Ao responder sobre a trajetória da dívida pública, Lula afirmou que o problema está ligado ao período prolongado de baixo crescimento econômico do país.
“Porque nós temos mais de 10 anos sem crescer”, disse.
O presidente argumentou que a retomada da atividade econômica pode melhorar a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB). Segundo Lula, quando a economia cresce, a proporção da dívida tende a diminuir.
“Na medida que você começa a crescer a economia, o PIB começa a cair, a dívida começa a cair com relação à dívida”, afirmou.
Lula também citou o desempenho econômico de seus primeiros governos e afirmou que deixou o país crescendo 7,5% em 2010. Segundo ele, quando retornou à Presidência, encontrou um cenário diferente, com crescimento mais baixo.
O presidente ainda comparou a dívida brasileira com a de outros países, mencionando Estados Unidos, Japão e Itália. Para Lula, uma dívida equivalente a cerca de 80% do PIB não deve ser analisada isoladamente, mas considerando a capacidade de crescimento da economia.
Juros e Banco Central
Questionado sobre o impacto dos juros na dívida pública, Lula afirmou que parte do problema está relacionada ao custo financeiro do endividamento.
O presidente criticou novamente a política de juros e mencionou o Banco Central independente como parte desse debate.
Na avaliação apresentada por Lula durante a entrevista, a discussão sobre a dívida pública precisa considerar também o efeito das taxas de juros sobre o orçamento.
Próximo mandato e gastos obrigatórios
Em outro momento da entrevista, César Tralli perguntou se Lula pretende reduzir gastos obrigatórios e quais compromissos assumiria em relação a um eventual ajuste fiscal em um novo mandato.
O presidente respondeu que sua principal prioridade será ampliar o crescimento econômico.
“O meu estabelecimento é o seguinte, é fazer esse país crescer”, afirmou.
Lula disse que sua candidatura para um novo mandato está ligada ao projeto de ampliar investimentos e transformar a estrutura produtiva do país.
Ele citou programas de infraestrutura, como o PAC, e afirmou que pretende avançar em uma agenda de desenvolvimento tecnológico.
“Eu quero fazer uma revolução tecnológica nesse país”, declarou.
Tecnologia, minerais críticos e inteligência artificial
Ao falar sobre os planos para o futuro, Lula afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade tecnológica e estratégica.
O presidente citou a necessidade de o país desenvolver inteligência artificial em língua portuguesa, fortalecer a exploração de minerais críticos e ampliar investimentos em áreas consideradas estratégicas.
“Esse país vai ter que ser dono do minério, das terras raras”, afirmou.
Lula também mencionou o potencial brasileiro em energia renovável e defendeu maior regulação sobre recursos estratégicos.
Ao longo da entrevista, o presidente sustentou que responsabilidade fiscal deve estar associada ao crescimento econômico e aos investimentos públicos e privados.
Lula: “Renata, eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar essa pergunta falando diferente”. pic.twitter.com/UmgU6BbVoo
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) August 28, 2026

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