No primeiro dia do horário eleitoral gratuito de rádio e TV na campanha de 2026, que teve candidatos ao governo do estado, ao Senado, às assembleias legislativas e à Câmara dos Deputados, o telespectador de São Paulo reencontrou uma figura que frequentou esse espaço durante a maior parte do período que sucedeu a redemocratização. O ex-governador de São Paulo e ex-prefeito da capital paulista, Paulo Maluf, apareceu apoiando o seu sobrinho de consideração.
Alberto Maluf, na verdade, se chama Alberto Haddad e é candidato a deputado estadual. Sua bisavó era tia de Salim Farah Maluf, pai do ex-prefeito, e o candidato busca usar o legado do político como ativo para se eleger. Além da presença no rádio e na TV, ele tem vídeos feitos com o parente famoso em seu perfil no Instagram. São publicações como esta abaixo, na qual recicla um antigo jingle malufista.
https://www.instagram.com/p/Dcj91l4yEee/
Como lembrou nas redes sociais o jornalista Marcelo Soares, Albertinho era um dos chamados “meninos malufinhos”, retratado em uma reportagem da Folha de S. Paulo de 2004. Junto com o irmão Antonio, Alberto Haddad é filho de um amigo de Reynaldo de Barros, um antigo aliado do ex-governador de São Paulo.
“A presença dos meninos chama a atenção em meio ao grupo malufista, cuja maioria já passou da casa dos 40. Segundo o Datafolha, os jovens são os que mais rejeitam Maluf – 57% dos entrevistados com 16 a 25 anos disseram que não votariam nele de jeito nenhum. ‘Isso é injusto. Nenhum político fez tanta coisa para os jovens quanto Maluf. Ele obrigou o uso do cinto de segurança pensando em nós’, disse Alberto, que votará pela primeira vez neste ano”, afirmava um trecho da reportagem do periódico paulistano.
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Paulo Maluf teve penas extintas pelo STF
Paulo Maluf foi prefeito de São Paulo, indicado pela ditadura civil-militar, entre 1969 e 1971 e voltou ao cargo, desta vez eleito de forma direta, para ocupar o cargo entre os anos de 1993 e 1996. Foi também governador paulista indicado pelo regime autoritário entre 1979 e 1982. Também exerceu quatro mandatos como deputado federal.
Por conta de sua segunda gestão como prefeito, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2017 a 7 anos e 9 meses de prisão por lavagem de dinheiro no período. No ano seguinte, 1ª Turma do STF o condenou por falsidade ideológica com fins eleitorais, após fraudes na prestação de contas de sua campanha eleitoral de 2010, com pena de 2 anos e nove meses de prisão em regime semiaberto.
A partir de 2018, ele passou a cumprir prisão domiciliar e, em 2022, o ministro do STF Edson Fachin concedeu a ele liberdade condicional. Em maio de 2023, Fachin entendeu que Maluf se encaixava nos critérios do indulto de Natal, assinado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no final de 2022.
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