Ignorado por Lula nos 40 minutos da sabatina no Jornal Nacional um dia antes, Flávio Bolsonaro (PL) usou a velha tática bolsonarista e da ultradireita de citar o nome do presidente para tentar fugir de perguntas incômodas e sem resposta durante a entrevista a César Tralli e Renata Vasconcellos na noite desta sexta-feira (28) na Globo.
No total, Flávio Bolsonaro citou Lula 17 vezes para fugir de temas em que não tinha resposta, especialmente na relação com Daniel Vorcaro e o escândalo do Banco Master, na prisão do pai Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe, e enfaticamente na questão do tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil, recorrendo 6 vezes à estratégia e citando Lula por 4 vezes em 15 segundos.
“Eu fui no momento adequado, Tralli, até a Câmara de Comércio Internacional dos Estados Unidos para defender o Brasil, para que o governo americano não tarifasse mais as empresas brasileiras que já são as mais tarifadas do mundo pelo próprio governo Lula. As empresas brasileiras não conseguem mais, não tem capacidade mais de pagar mais impostos e mais essa sobretaxa que foi o Lula que cavou com força. E o Lula procurou muito essa tarifa. Ele xingou, olha ele ameaçou. Ele conseguiu: parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras”, disparou.
Na indagação, César Tralli expôs que Eduardo Bolsonaro comemorou o tarifaço nas redes e “colocou os interesses da família Bolsonaro à frente dos interesses do Brasil”. O tema é um dos mais sensíveis na campanha de Flávio Bolsonaro e teve forte influência na queda do senador nas pesquisas de intenção de votos.
Mentiras sobre Daniel Vorcaro e o golpe
A primeira menção a Lula feita por Flávio Bolsonaro aconteceu logo no início da entrevista, quando foi indagado sobre a troca de áudios cobrando Daniel Vorcaro sobre parte do pagamento dos 24 milhões de dólares supostamente para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do pai.
Quando pressionado sobre sua própria relação com Daniel Vorcaro e sobre a falta de divulgação do contrato e da prestação de contas, Flávio desloca o foco para Lula.
Flávio citou Lula 3 vezes e foi deixado pelos apresentadores à vontade para levantar ilações sobre o presidente no caso Master.
“Inclusive, eu pedia muito que houvesse a CPMI do Banco Master para Você que vai mostrar eu já assinei a CPMI, eu pedi que ela acontecesse, porque tudo que eu queria é que sentasse lá Augusto Lima e Daniel Vorcaro para perguntar qual seria a relação com Flávio Bolsonaro, para eu falar: ‘nenhuma relação, é com o filme’. Agora, qual a sua relação com o Lula? Qual a sua relação com o Jacques Wagner? Qual a sua relação com o Rui Costa? Qual a sua relação com o Galípolo? VOrcaro, o que é que você conversou naquela reunião com o presidente Lula, naquela reunião secreta que ele fez junto com o Galípolo”, disparou Flávio, bastante nervoso.
Ao ser indagado sobre o julgamento do pai e ser deparado com a lista de crimes cometidos por ele na tentativa de golpe, Flávio voltou a apelar a Lula.
“Quem foi que julgou ele, Alexandre de Moraes, o inimigo declarado do presidente Bolsonaro, Flávio Dino, o outro ministro indicado pelo Lula, que tem inclusive processo criminal contra o Bolsonaro, que disse que o Bolsonaro é o demônio na terra. O outro Zanin indicado pelo Lula que até ontem era advogado do Lula”, disparou.
Sem propostas, Flávio Bolsonaro mostrou que utiliza a mesma estratégia dos apoiadores nas redes sociais ao serem deparados com denúncias sobre o clã.
E o Lula? Flávio Bolsonaro cita presidente 17 vezes no Jornal Nacional para fugir de perguntas
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