PF investiga Flávio Bolsonaro por corrupção no caso Dark Horse e descarta “patrocínio”, diz portal

PF investiga Flávio Bolsonaro por corrupção no caso Dark Horse e descarta “patrocínio”, diz portal
O senador Flávio Bolsonaro - Flávio Bolsonaro - Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Os rumos tomados na PF sofreram mudanças. A narrativa de que o montante bilionário e as movimentações atípicas em torno do projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro não passam de uma transação comercial comum caiu por terra nos gabinetes da Polícia Federal em Brasília. Enquanto o pré-candidato do PL à Presidência da República insiste em rotular a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um simples acordo comercial sem reflexos institucionais,os federais adotaram um tom drasticamente diferente, enquadrando as transações no campo criminal. A informação é fruto de uma apuração da colunista Andréia Sadi, do portal g1 e da GloboNews.
Em sabatina veiculada na noite de sexta-feira (28), o parlamentar buscou desvincular seu nome de qualquer irregularidade, afirmando que a busca por aportes junto ao ex-controlador do Banco Master teve caráter estritamente empresarial. Segundo a defesa pública feita pelo senador, o repasse financeiro visava financiar a obra audiovisual “Dark Horse”, sem que houvesse destinação de valores diretamente para suas contas pessoais.
Contudo, os elementos colhidos pelos investigadores apontariam para uma apuração robusta sobre a eventual prática de corrupção passiva e ocultação de bens. Para a equipe encarregada do inquérito, a infração penal prevista na legislação brasileira não exige necessariamente a comprovação de uma contrapartida direta e imediata na administração pública. O foco da apuração reside em verificar se o mandato ou a influência política do congressista serviram como pano de fundo para a obtenção de benefícios financeiros injustificados.
O rastreamento da PF debruça-se sobre a engenharia financeira montada para viabilizar as cifras: a origem exata das quantias, as vias utilizadas para o fluxo de capital, as pessoas físicas e jurídicas intermediárias e o destino final dos recursos recebidos.
Duas peças-chave acenderam o alerta dos investigadores e fragilizaram a tese de mera cota publicitária:

O anonimato do pagador: O desinteresse de Vorcaro em vincular sua imagem ou a de suas empresas publicamente como apoiador institucional da produção audiovisual.
E a admissão de repasse direto: As declarações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, mencionando a ida presencial do filho do ex-presidente à residência do ex-banqueiro com o intuito de recolher valores remanescentes.

Diante do conjunto probatório em análise, as autoridades policiais descartam a tese de mero investimento cultural privado. A presença de um agente político ocupante de cargo eletivo na linha de frente das tratativas com um executivo do setor financeiro coloca o episódio sob o rigor da lei penal, transformando a transação de R$ 61 milhões em um ostensivo caso de polícia.

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