Senadores de direita se aproveitam de crise no STF para tentar adiar votação do fim da escala 6×1

Senadores de direita se aproveitam de crise no STF para tentar adiar votação do fim da escala 6×1
- Imagem do Senado Federal - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A votação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas sem redução salarial entrou no ambiente de disputa política do Senado. Nos bastidores, senadores de direita passaram a usar a crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como argumento para tentar adiar a análise da proposta, prevista para esta quarta-feira (2) na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
A articulação ocorre em meio ao avanço da investigação sobre o Banco Master e à tensão envolvendo integrantes do Supremo. Para parlamentares e movimentos que acompanham a tramitação da PEC 221/2019, o risco é que uma pauta aguardada por trabalhadores há meses seja deslocada pela disputa política em Brasília.
Relatada pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), a proposta recebeu parecer favorável na CCJ e aguarda votação na comissão. Caso avance, ainda precisará passar pelo plenário do Senado.
VAT reage a tentativa de adiamento
Procurado pela Revista Fórum, o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) afirmou ver com “profunda indignação” qualquer tentativa de utilizar disputas políticas e episódios paralelos para travar ou adiar a votação do fim da escala 6×1.
Segundo o movimento, a discussão envolve uma mudança concreta na vida de milhões de trabalhadores submetidos a jornadas extensas.
“Para nós, isso representa um completo descaso com a classe trabalhadora brasileira, que há anos vem sendo submetida a uma rotina exaustiva, com pouco tempo para descanso, convivência familiar, estudo, lazer e, muitas vezes, até para cuidar da própria saúde”, afirmou o VAT.
A entidade também criticou o uso de pautas trabalhistas como instrumento de disputa entre grupos políticos.
“É inadmissível que senadores utilizem uma pauta tão urgente para milhões de trabalhadores como instrumento de disputa política. O povo não pode continuar pagando a conta das brigas de Brasília. Enquanto parlamentares articulam manobras, obstruções e adiamentos, trabalhadores seguem acordando cedo, enfrentando jornadas extensas e vivendo praticamente para trabalhar”, declarou.
Para o VAT, os senadores precisam responder às demandas da população e não transformar a votação em moeda de troca política.
“Os senadores estão ali para servir ao povo, e não aos interesses eleitorais, empresariais ou às suas disputas políticas particulares. Foram eleitos para representar a população e precisam entender que o fim da escala 6×1 é uma demanda concreta, legítima e urgente da classe trabalhadora”, disse o movimento.
Pressão antes da votação
A PEC 221/2019 chegou ao Senado após aprovação na Câmara dos Deputados e passou a ser acompanhada de perto por centrais sindicais e movimentos populares, que organizam mobilizações pela aprovação do texto.
O VAT afirmou que seguirá pressionando os parlamentares para que a proposta seja votada sem novos adiamentos.
“Se há disposição para travar a votação de uma pauta que devolve dignidade e tempo de vida ao trabalhador, então é preciso dizer claramente de que lado estão”, afirmou a entidade.
A mobilização ocorre às vésperas da análise da proposta em uma semana marcada por forte disputa política no Congresso.

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