Caso Master: quem são os ministros do STF com relação com Vorcaro

Caso Master: quem são os ministros do STF com relação com Vorcaro
Alexandre de Moraes, André Mendonça, Nunes Marques e Dias Toffoli - Ministros do STF Ascom/STF

Novas revelações mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estabeleceu contato com diversos ministros do Supremo Tribunal Federal. Apurações jornalísticas, documentos extraídos do celular de Vorcaro, contratos, mensagens e registros financeiros passaram a revelar conexões do empresário com ministros da Corte e pessoas próximas a eles.
Até o momento, quatro ministros do STF aparecem de maneira direta no material relacionado ao banqueiro: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques.
As relações são diferentes entre si, mas todas passaram a ser objeto de atenção no contexto das investigações da Polícia Federal.
Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes aparece diretamente no material extraído do celular de Daniel Vorcaro. Um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal reúne mensagens, arquivos, registros de chamadas e documentos encontrados no aparelho. Entre as conversas está uma troca de mensagens com um contato salvo no celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Segundo a PF, os diálogos indicam uma relação próxima entre Vorcaro e o interlocutor. O banqueiro teria recorrido ao contato em meio às dificuldades enfrentadas pelo Banco Master e buscado informações e apoio relacionados a autoridades públicas.
A relação também aparece por meio do escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O Banco Master assinou em janeiro de 2024 um contrato de serviços advocatícios com o escritório no valor de R$ 131 milhões, com pagamentos previstos durante três anos.
A PF identificou ainda que a versão final do contrato foi editada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” no sistema Office 365.
O escritório confirmou que Moraes teve acesso ao documento, mas afirmou que isso ocorreu a pedido do setor de compliance, justamente para verificar se existia algum impedimento legal para a contratação.
A banca sustenta que o ministro não julgava processos envolvendo o Banco Master e que os serviços foram efetivamente prestados.
Outro contrato, de R$ 50 milhões, também é citado na investigação. Parte da negociação teria envolvido ativos relacionados a aeronaves, incluindo cotas de um jato executivo e de um helicóptero.
Moraes nega irregularidades.
Entenda: Quais as acusações contra Alexandre de Moraes no caso Vorcaro e o que ele respondeu
Dias Toffoli
Dias Toffoli ocupava inicialmente a posição mais importante na condução judicial do caso: era o relator da investigação sobre o Banco Master no STF.
A situação mudou depois que a Polícia Federal apresentou informações relacionadas ao ministro e a negócios envolvendo sua família e empresas ligadas ao Banco Master.
Entre os elementos investigados está a relação da empresa Maridt Participações, da qual Toffoli declarou ser sócio, com o Tayayá Aqua Resort, empreendimento localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. O resort foi vendido a um fundo controlado pelo Banco Master.
O relatório da PF também teria registrado telefonemas entre Toffoli e Vorcaro e conversas do banqueiro relacionadas a pagamentos envolvendo a aquisição do empreendimento.
A investigação ainda apontou a existência de mensagens e contatos envolvendo pessoas próximas ao banqueiro e os irmãos do ministro.
Diante das informações apresentadas pela Polícia Federal, Toffoli deixou a relatoria do caso. A redistribuição ocorreu após uma reunião dos ministros do STF.
O tribunal afirmou que não considerava configurada a suspeição do magistrado e declarou a validade dos atos praticados por Toffoli. O próprio ministro classificou as acusações apresentadas pela PF como “ilações”.
Com a saída de Toffoli, a relatoria passou para André Mendonça.
Leia também: Toffoli teria admitido que recebeu dinheiro de venda de resort a Vorcaro; conversas falam em pagamento

André Mendonça
André Mendonça ocupa uma posição especialmente sensível na investigação porque sua relação com Vorcaro não se limita à condição de ministro que passou a relatar o caso.
Antes de assumir a relatoria, Mendonça teve um encontro privado com Daniel Vorcaro.
Mensagens e áudios extraídos do celular do banqueiro, divulgados pelo jornalista Paulo Motoryn, indicam que Vorcaro se reuniu com Mendonça em 14 de março de 2025, em São Paulo.
O encontro ocorreu no endereço do Instituto Iter, fundado pelo próprio ministro, e teria durado aproximadamente duas horas.
A aproximação teria sido articulada durante semanas pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
As mensagens mostram Ciro se apresentando a Vorcaro como alguém que trabalhava para aproximá-lo de Mendonça. Em fevereiro de 2025, o advogado enviou ao banqueiro uma fotografia ao lado do ministro e um áudio dizendo que havia levado “André” a uma alfaiataria para fazer um terno.
Em outro áudio, Ciro afirmou a Vorcaro que Mendonça já sabia dos problemas enfrentados pelo Banco Master junto ao Banco Central e que teria manifestado interesse em receber o banqueiro.

“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei.”

O encontro aconteceu cerca de um mês depois.
A situação ganhou uma dimensão ainda mais relevante depois que Mendonça assumiu a relatoria do caso.
Foi ele quem determinou novas diligências relacionadas ao conteúdo do celular de Vorcaro e, posteriormente, decidiu retirar o sigilo dos documentos envolvendo Alexandre de Moraes e levar a discussão ao plenário do STF em sessão pública.
Ou seja, Mendonça aparece simultaneamente em dois lados da crise: como ministro que manteve uma reunião privada com Vorcaro antes de assumir o caso e como relator responsável por conduzir a investigação que agora expõe relações do banqueiro com outros integrantes do Supremo.
Leia: Mendonça teve encontro secreto com Vorcaro e posou com advogado: “Vorcarinho […] levei André para fazer terno”
Nunes Marques
O ministro Kassio Nunes Marques também aparece associado ao caso por meio de relações profissionais envolvendo seu filho, Kevin Marques.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, transferiu R$ 6,6 milhões para a empresa de consultoria Consult.
No mesmo período, a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, aportou outros R$ 11,3 milhões. O montante total recebido pela consultoria corresponde exatamente à soma dessas duas fontes, o que levou o órgão vinculado ao Ministério da Fazenda a classificar as transações como “incompatíveis com a capacidade financeira” da empresa.
Em uma amostragem de pagamentos realizados pela Consult, foram identificadas 11 transferências para Kevin Marques, totalizando R$ 281.630,00.
Os repasses foram feitos diretamente para o escritório de Kevin, do qual ele é o único responsável. Chama a atenção a trajetória meteórica do jovem advogado. Em seu site profissional, que foi retirado do ar recentemente, ele se apresentava no ano passado como um profissional com apenas “um ano de experiência na OAB”, dedicado a entender as “complexidades do sistema tributário brasileiro”.
“O pagamento citado é lícito e decorrente do exercício regular da advocacia. A atuação para a empresa mencionada foi voltada ao fisco administrativo”, afirma o filho do ministro.
A Folha de S.Paulo informou em 20 de março de 2026 que o celular de Daniel Vorcaro apreendido pela PF continha registros de conversas dele com o próprio Kassio Nunes Marques.
A assessoria do ministro afirmou que ele não tinha relação de proximidade com o banqueiro e que não se recordava de ter trocado mensagens com ele.

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