Lula revela o que conversou com Leonardo DiCaprio durante encontro com ator

Lula revela o que conversou com Leonardo DiCaprio durante encontro com ator
- Foto: Ricardo Stuckert

Em 2019, Jair Bolsonaro apontou o dedo para Leonardo DiCaprio e, sem apresentar uma única prova, acusou o ator de financiar incêndios criminosos na Amazônia. Sete anos depois, o ativista ambiental entrou pela porta da frente do Palácio do Planalto para conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre proteção das florestas, povos indígenas e enfrentamento à crise climática.
O encontro desta quarta-feira (2), que também contou com a participação da primeira-dama Janja, durou cerca de 40 minutos e produziu uma imagem simbólica da mudança de orientação do governo brasileiro na agenda ambiental.
Se durante a gestão Bolsonaro, ambientalistas e organizações não governamentais foram frequentemente colocados sob suspeita pelo próprio presidente, o atual governo tenta reconstruir a imagem internacional do Brasil como protagonista das discussões sobre preservação ambiental e mudanças climáticas.
Durante a conversa, Lula apresentou a DiCaprio algumas das medidas adotadas pelo governo para reduzir o desmatamento, combater o garimpo ilegal e proteger os territórios indígenas.
A conversa ocorre em um momento no qual o governo Lula tenta consolidar a retomada da política ambiental brasileira e recuperar espaços internacionais perdidos durante os quatro anos de Bolsonaro.
https://x.com/LulaOficial/status/2095285587326673030
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DiCaprio relembra visita ao Xingu
Conhecido internacionalmente por sua atuação em defesa do meio ambiente, DiCaprio contou que conheceu o Xingu há aproximadamente 25 anos. Ele também falou sobre sua amizade com o cacique Raoni Metuktire, uma das principais lideranças indígenas brasileiras.
O ator relatou ainda o trabalho desenvolvido pela Re:wild, organização ambiental da qual é DiCaprio é um dos fundadores, na proteção de florestas, da biodiversidade e de territórios indígenas em diferentes partes do mundo.
Janja, por sua vez, destacou durante a conversa o papel das mulheres na preservação dos territórios e presenteou DiCaprio com uma fotografia de Raoni feita pelo fotógrafo Ricardo Stuckert.
A Re:wild mantém cooperação com o governo brasileiro. Em 2023, a organização firmou uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente para desenvolver ações voltadas à recuperação de áreas da Amazônia degradadas pelo garimpo ilegal e à descontaminação ambiental.
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A fake news de Bolsonaro contra DiCaprio
A passagem de DiCaprio pelo Planalto ganha um significado político adicional quando lembrado o episódio protagonizado por Bolsonaro em 2019.
Naquele ano, em meio à repercussão internacional provocada pelas queimadas na Amazônia, o então presidente passou a responsabilizar organizações ambientais pelos incêndios e chegou a envolver o nome do ator norte-americano nas acusações.
Sem apresentar qualquer evidência, Bolsonaro afirmou que DiCaprio estaria financiando grupos supostamente envolvidos nas queimadas.
“Esse Leonardo DiCaprio é um cara legal, né? Dando dinheiro para tocar fogo na Amazônia”, afirmou Bolsonaro à época.
A declaração repercutiu internacionalmente e foi rebatida pelo ator. DiCaprio negou ter financiado as organizações citadas pelo então presidente e reafirmou seu apoio aos brasileiros que atuavam na proteção ambiental.
Nenhuma evidência que comprovasse a acusação apresentada por Bolsonaro contra DiCaprio foi apresentada.
Sete anos depois, o mesmo ator que o ex-presidente tentou associar às queimadas na Amazônia foi recebido no Palácio do Planalto como interlocutor para discutir preservação ambiental.
A cena ajuda a dimensionar a mudança de orientação política entre os dois governos: a agenda ambiental, que durante a gestão Bolsonaro foi marcada por confrontos com organizações e ativistas, voltou a ocupar posição central na estratégia internacional brasileira e no discurso do governo sobre soberania, povos indígenas e enfrentamento à emergência climática.

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