O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta quarta-feira (2) a quebra total do sigilo do inquérito Dark Horse, que apura o financiamento de um filme sobre o atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante visita às obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô, na capital paulista, Tarcísio também afirmou que a corte máxima do país está “sob suspeição” e defendeu transparência nas investigações.
O inquérito Dark Horse tem como relator no Supremo Tribunal Federal (STF) o ministro Alexandre de Moraes. Entre os investigados está Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República e aliado político de Tarcísio.
Tarcísio diz que STF está “sob suspeição”
Tarcísio foi questionado sobre o caso após cumprir agenda na zona leste de São Paulo.
“Nós temos a corte máxima do país sob suspeição e isso é muito grave, isso é muito perigoso”, afirmou o governador.
Para Tarcísio, a situação pode comprometer a confiança nas instituições.
“Se você não puder confiar no Judiciário, se você não puder confiar na corte máxima do país, você tem uma fissura na institucionalidade, uma fissura no Estado Democrático de Direito que é inaceitável.”
O governador também defendeu investigação e responsabilização como caminhos para recuperar a confiança nas instituições.
“A confiança nas instituições não vai ser recuperada nem com silêncio e nem com corporativismo. A confiança nas instituições vai ser recuperada com transparência, com investigação séria e com responsabilização”, disse.
Ao falar especificamente sobre o inquérito Dark Horse, Tarcísio defendeu a divulgação das informações.
“Eu sou favorável a toda transparência, toda quebra, toda divulgação. Tudo que está oculto tem que ficar às claras.”
“A gente só vai retomar a confiança nas instituições a partir do momento que você tiver transparência, investigação profunda, responsabilização. Aliás, nada fica escondido por muito tempo”, acrescentou.
Inquérito Dark Horse envolve Flávio Bolsonaro
O inquérito Dark Horse apura o financiamento do filme homônimo sobre o atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018.
A produção recebeu recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro após pedidos feitos por Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e candidato do PL à Presidência da República.
O envolvimento de Flávio no caso também colocou o tema no centro da campanha presidencial.
Questionado diretamente se apoiaria a quebra do sigilo mesmo diante da possibilidade de exposição de Flávio Bolsonaro, Tarcísio manteve a defesa da abertura das informações.
“É bom que tudo apareça, que todos os esclarecimentos sejam dados, que todas as investigações sejam feitas e que as responsabilizações aconteçam”, afirmou.
O governador ponderou, no entanto, que, diante das informações conhecidas até o momento, não acredita que o episódio prejudique a candidatura presidencial de Flávio. Tarcísio ressalvou que eventuais novos fatos precisam ser esclarecidos.
Tarcísio também aparece em relatório da PF
O nome de Tarcísio aparece de forma lateral no caso.
Um relatório da Polícia Federal registrou diálogos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes nos quais o ministro teria demonstrado incômodo com o destaque que Tarcísio teria em um evento em Londres organizado pelo banqueiro.
O evento não chegou a ocorrer porque Vorcaro foi preso e seu banco, liquidado.
Questionado sobre a citação de seu nome, Tarcísio minimizou o episódio.
“Não tem nem o que falar sobre isso porque, no final das contas, não houve um convite oficial. Eu também não iria, como não cheguei a confirmar.”
Novos repasses para Dark Horse
As declarações de Tarcísio ocorrem após a revelação de novas informações sobre o financiamento do filme.
Na véspera, a Revista Piauí revelou que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma transferência adicional de US$ 1,66 milhão feita por Daniel Vorcaro ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos ligado à produção.
Com a nova operação, os repasses conhecidos de Vorcaro relacionados ao projeto chegaram a US$ 12,3 milhões.
O caso é investigado no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes, enquanto as circunstâncias do financiamento e a participação dos envolvidos continuam sob apuração.
Dark Horse: Tarcísio defende quebra de sigilo em caso que envolve Flávio Bolsonaro
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