A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quarta-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do procedimento em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou ter sofrido ameaças para não fechar uma delação premiada.
Segundo parecer assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, o ex-controlador do Banco Master “não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado” e não apresentou “o mínimo elemento de verossimilhança” às suas acusações, classificando o depoimento como “flagrantemente inócuo e esvaziado de utilidade prática”. O registro é do Uol.
A defesa do ex-banqueiro solicitou que ele fosse ouvido sob o argumento de que teria sofrido ameaças e intimidações, depoimento que aconteceu na semana passada. No gabinete do ministro André Mendonça, Vorcaro alegou que a Polícia Federal rejeitou sua delação para “blindar” o diretor-geral, Andrei Rodrigues, com quem afirmou ter viajado para eventos. Ele também prometeu entregar outros políticos, em uma tentativa de valorizar sua possível colaboração.
“Nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos”, disse o banqueiro, segundo depoimento revelado pelo Estadão.
Recusas da delação
O depoimento foi acompanhado por um representante do Ministério Público (MP), mas não havia nenhum integrante da Polícia Federal (PF) presente.
A PF e a própria PGR já haviam recusado duas propostas de delação de Vorcaro, por entenderem que ele omitiu informações e não entregou provas novas. Na sexta-feira (28), em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro aproveitou a oportunidade para demonstrar a intenção de fazer uma terceira tentativa de acordo de colaboração premiada.
Os advogados do ex-banqueiro, Sérgio Leonardo e Daniel Bialski, disseram na ocasião que ele poderia prestar esclarecimentos “mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar”.
Contudo, em seu parecer, o procurador-geral, pontuou que a recusa é um “desdobramento natural e ordinário” do sistema penal, apoiada na “ausência de acréscimo informativo de natureza inédita”. Ele acrescenta que Vorcaro não conhece o conjunto das provas reunidas no inquérito, o que significa que fatos tidos como anda não sabidos podem já estar em poder dos investigadores.
“Inócuo”: PGR pede arquivamento de depoimento de Vorcaro com acusações contra a PF
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