Lula x Bolsonaro: o que mostram os números da segurança pública nos dois governos

Lula x Bolsonaro: o que mostram os números da segurança pública nos dois governos
Lula x Bolsonaro: o que mostram os números da segurança pública nos dois governos 1

O Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2012. O marco foi alcançado durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dando continuidade a uma trajetória de redução da violência letal iniciada anos antes.
Os números mais recentes, mostram que a segurança pública brasileira não pode ser medida apenas pelos homicídios. Enquanto as mortes violentas e algumas modalidades de roubo recuaram, feminicídios, violência contra mulheres e crianças, golpes digitais e mortes provocadas por policiais permanecem como desafios importantes.
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Mortes violentas chegam ao menor nível da série sob Lula
Em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), o Brasil registrou cerca de 47,5 mil mortes violentas intencionais.
A trajetória de queda continuou maior após a mudança de governo. Em 2025, terceiro ano do novo mandato de Lula, foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais, com taxa de 19,1 por 100 mil habitantes.
Foi a primeira vez desde o início da série histórica do FBSP que o país ficou abaixo da marca de 20 mortes violentas por 100 mil habitantes. Somente na comparação com 2024, a redução foi de 8,2%.
Os números precisam ser analisados considerando que a segurança pública é uma responsabilidade compartilhada entre União e estados, e que as polícias civis e militares respondem aos governadores. Ainda assim, os dados mostram que a trajetória de queda prosseguiu durante o atual governo e chegou, em 2025, ao menor patamar já registrado pelo FBSP.
Imagem: Gráfico gerado por Inteligência Artificial
Violência contra mulheres seguiu na direção oposta
Quando o foco passa para a violência contra as mulheres, o cenário muda.
Em 2022, 3.806 mulheres foram vítimas de homicídio no Brasil, segundo o Atlas da Violência, o equivalente a uma taxa de 3,5 mortes por 100 mil mulheres.
Esse total não deve ser confundido com feminicídios. Nem todo assassinato de uma mulher recebe essa classificação: em 2022, o número de feminicídios registrados foi menor que o total de homicídios femininos.
Nos anos seguintes, os feminicídios permaneceram em patamar elevado. Em 2025, foram 1.571 vítimas, crescimento de 4% em relação ao ano anterior e o maior número da série histórica acompanhada pelo FBSP.
Ao mesmo tempo, a taxa geral de homicídios de mulheres caiu 5,5% em 2025. É justamente essa diferença que chama atenção: os assassinatos de mulheres diminuíram no conjunto, mas aqueles classificados como feminicídio aumentaram.
Também avançaram registros de agressões, ameaças, violência psicológica, perseguição, tentativas de feminicídio e descumprimento de medidas protetivas. Ao divulgar o Anuário de 2026, o próprio FBSP resumiu o contraste: enquanto os indicadores gerais de violência letal recuam, os lares se tornam ambientes mais violentos para mulheres, crianças e adolescentes.
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Menos roubos, mais golpes
Nos crimes contra o patrimônio, o Brasil atravessa uma transformação importante. Diversas modalidades tradicionais de roubo vêm perdendo espaço, enquanto estelionatos e fraudes digitais cresceram de forma acelerada.
Parte da criminalidade patrimonial migrou das ruas para o ambiente digital. Aplicativos bancários, redes sociais, falsas centrais telefônicas e golpes virtuais passaram a ocupar espaço cada vez maior nas estatísticas.
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Violência política marcou período eleitoral
A violência política também ganhou espaço no debate sobre segurança pública, especialmente durante o acirramento da disputa presidencial de 2022. Embora não exista uma série policial nacional que permita comparar diretamente os governos por esse indicador, alguns episódios se tornaram símbolos da intolerância política no período.
Um dos casos mais graves ocorreu em Foz do Iguaçu (PR), em julho de 2022. O guarda municipal e tesoureiro do PT Marcelo Arruda foi morto a tiros pelo policial penal federal Jorge Guaranho, apoiador de Jair Bolsonaro, durante sua festa de aniversário de 50 anos, decorada com referências ao PT e a Lula.
Outros episódios daquele período não terminaram em morte, mas também expuseram o clima de hostilidade. Em outubro de 2022, entre o primeiro e o segundo turno, apoiadores de Lula foram agredidos em uma lanchonete de Goiânia após uma discussão política. Imagens registraram homens identificados como apoiadores de Bolsonaro usando socos, chutes e mesas contra integrantes do grupo. O caso foi investigado pela Polícia Civil.
Já em janeiro de 2023, poucos dias depois da posse de Lula, um participante de uma carreata bolsonarista avançou contra mulheres na região central de São Paulo. Entre as vítimas estava a jornalista Clélia Cardim, de 73 anos, que carregava uma bandeira de Lula.
Os episódios ajudam a mostrar uma dimensão da violência que não aparece quando a segurança pública é medida apenas por homicídios, roubos e furtos. A radicalização política do período eleitoral também produziu agressões e em casos extremos, mortes motivadas por divergências políticas.
Organizações da sociedade civil passaram a acompanhar assassinatos, atentados, agressões e ameaças relacionados à atividade política para preencher parte dessa lacuna. Mas esses levantamentos utilizam metodologias próprias e não devem ser comparados diretamente com as séries oficiais de criminalidade.
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O que os números mostram sobre Lula e Bolsonaro
A comparação entre os dois governos revela um cenário menos simples do que o discurso político costuma sugerir.
A redução das mortes violentas começou antes de Bolsonaro, continuou durante seu mandato e foi aprofundada nos três primeiros anos do governo Lula, até atingir em 2025 o menor patamar já registrado pelo FBSP.
Isso está longe de significar que o país tenha vencido sua crise de segurança pública.
O retrato até 2025 é, portanto, contraditório: o Brasil mata menos no conjunto da população e chegou ao menor nível de violência letal da série histórica sob Lula, mas continua longe de ser igualmente seguro para mulheres, jovens negros, crianças e outros grupos mais expostos à violência.

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