Alexandre de Moraes cancela pronunciamento após Fachin retirar inquérito das fake news de sua relatoria

Alexandre de Moraes cancela pronunciamento após Fachin retirar inquérito das fake news de sua relatoria
O ministro do STF, Alexandre de Moraes - O ministro do STF, Alexandre de Moraes (Alejandro Zambrana/STF)

O ministro Alexandre de Moraes cancelou o pronunciamento à imprensa que havia convocado para a manhã desta quinta-feira (10), em meio à crise que se aprofunda no Supremo Tribunal Federal. A decisão ocorre um dia após o presidente da Corte, Edson Fachin, retirar de Moraes a condução de procedimentos ligados ao inquérito das fake news e concentrá-los na Presidência do tribunal.
Nos bastidores, interlocutores do STF esperavam que o ministro fizesse uma defesa pública da condução das investigações que comandou por mais de sete anos. Sem justificativa oficial, o recuo reforça a tensão interna que tomou conta da Corte nas últimas semanas.
Cancelamento e o contexto imediato
O gabinete de Alexandre de Moraes havia informado apenas o horário da manifestação, sem detalhar o tema. A assessoria do ministro chegou a comunicar que a imprensa não poderia fazer imagens, com o material sendo cedido exclusivamente pela TV Justiça. O pronunciamento seria a primeira fala pública de Moraes desde as decisões adotadas por Fachin na quarta-feira (9).
Nos bastidores, interlocutores do Supremo afirmavam que a expectativa era de uma defesa da condução do inquérito das fake news, com considerações gerais sobre as investigações. O cancelamento, sem explicação oficial, chegou horas depois de Fachin formalizar medidas que limitam diretamente a atuação de Moraes sobre o caso.
As decisões de Fachin e a crise no STF
Na quarta-feira (9), Fachin retirou de Moraes a condução dos procedimentos relacionados ao inquérito das fake news e concentrou a análise dos casos na Presidência do tribunal. O presidente do STF declarou que a Presidência tem o dever de “zelar pela preservação da integridade da Corte” e que o tribunal enfrenta “conflitos e sobreposições processuais” que exigem atuação institucional.
A crise tem origem em investigações relacionadas ao Banco Master e se agravou após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que citavam comunicações enviadas a Moraes. O material foi divulgado pelo ministro André Mendonça, e Moraes reagiu usando o próprio inquérito das fake news para pedir que o colega respondesse por abuso de autoridade. A sequência de contra-medidas, que envolveu ainda decisões de Flávio Dino e da Procuradoria-Geral da República, levou Fachin a intervir e centralizar os procedimentos sob a Presidência do Supremo.
Próximos passos e a sessão plenária
Fachin convocou para a próxima terça-feira (15) uma sessão do plenário do STF para discutir os desdobramentos do relatório da Polícia Federal e definir os próximos passos das apurações. A sessão também analisará o pedido de nulidade do documento feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
O pronunciamento cancelado seria a primeira manifestação pública de Moraes desde as decisões adotadas pela Presidência do Supremo em meio à crise.
Com o recuo desta quinta, Moraes segue sem se pronunciar publicamente sobre a perda da relatoria e sobre as mensagens que estão no centro da disputa. A sessão plenária de terça-feira deve ser o próximo momento decisivo para definir como o STF conduzirá as apurações e quem deterá o controle sobre as investigações mais sensíveis da Corte.

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