O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar a educação entre as prioridades de seu projeto político durante entrevista ao SBT nesta quinta-feira (10). Ao defender investimentos no setor Lula resumiu sua posição em uma frase direta:
“Educação é investimento. Gasto é cadeia.”
Durante a entrevista, o presidente também reivindicou o legado de seus governos na área e afirmou considerar a educação uma prioridade pessoal.
“Eu não falo com orgulho porque eu não quero ser presunçoso, mas eu sou o homem que mais fez pela educação neste país. Educação é prioridade minha, sim.”
A afirmação foi feita pelo próprio Lula ao mencionar políticas educacionais criadas ou ampliadas durante seus governos. Entre elas estão programas que mudaram as formas de acesso ao ensino superior e iniciativas voltadas à permanência de jovens na escola.
Lula destaca expansão dos Institutos Federais
Durante a entrevista, Lula também usou a expansão da educação profissional e tecnológica para sustentar sua defesa de que educação deve ser tratada como investimento público.
O presidente comparou a estrutura que encontrou quando chegou ao Planalto, em 2003, com o tamanho projetado para a Rede Federal após as novas expansões.
“Eu herdei 140 institutos federais. Vou entregar agora 802 e quero chegar a mil.”
O presidente também destacou o peso de seus governos na interiorização do ensino técnico federal:
“De 340 campi na história do Brasil, 200 fui eu quem fiz.”
A expansão da rede de educação profissional foi uma das marcas dos primeiros governos Lula. Em 2008, foi sancionada a lei que criou os Institutos Federais e reorganizou a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.
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De torneiro mecânico à defesa do ensino superior
A educação também aparece no discurso de Lula associada à própria trajetória. O presidente não cursou uma universidade e teve sua formação profissional no Senai, onde se formou torneiro mecânico, profissão que exerceu antes de construir sua trajetória sindical e política.
Ao longo de seus governos, a ampliação do acesso ao ensino técnico e superior passou a ocupar espaço relevante nas políticas educacionais federais.
A ideia defendida pelo presidente é que a formação que teve na juventude não deve representar um limite para as gerações seguintes. Em seu discurso, Lula associa educação à possibilidade de conseguir uma profissão, ampliar oportunidades de trabalho e garantir renda.
Prouni abriu bolsas em universidades privadas
Uma das políticas citadas nesse legado é o Programa Universidade para Todos (Prouni), criado pelo governo federal em 2004 e posteriormente instituído pela Lei nº 11.096, de 2005.
O programa oferece bolsas integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior, de acordo com critérios estabelecidos pelo governo. A seleção utiliza o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Sisu transformou Enem em porta de entrada para universidades públicas
Outro programa associado aos governos Lula é o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), criado em 2010. Por meio dele, instituições públicas de ensino superior passaram a oferecer vagas utilizando o desempenho dos candidatos no Enem.
Na prática, o sistema ampliou o uso do exame nacional como mecanismo de acesso a universidades e institutos públicos, permitindo que estudantes concorram a vagas oferecidas por instituições participantes.
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Fies foi ampliado durante governos petistas
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) não foi criado por Lula, mas passou por mudanças e expansão durante os governos petistas.
O programa financia cursos superiores em instituições privadas para estudantes que atendam aos critérios definidos pelo governo. Ao lado do Prouni e do Sisu, tornou-se uma das principais políticas federais relacionadas ao acesso ao ensino superior.
Universidades e institutos federais chegaram ao interior
Os governos Lula também promoveram uma expansão da rede federal de educação superior, profissional e tecnológica, com a criação de novos campi e a interiorização de universidades e institutos federais.
A expansão levou cursos técnicos e superiores para municípios fora dos grandes centros urbanos e ampliou a presença da rede federal de ensino em diferentes regiões do país.
Pé-de-Meia tenta manter jovens na escola
Em seu terceiro mandato, Lula lançou o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro-educacional destinado a estudantes do ensino médio público inscritos no Cadastro Único que atendam aos critérios estabelecidos.
O programa funciona como uma espécie de poupança e condiciona parte dos pagamentos à matrícula, frequência e conclusão escolar.
Segundo o Ministério da Educação, a iniciativa busca estimular a permanência e a conclusão do ensino médio, além de contribuir para a inclusão educacional de jovens em situação de vulnerabilidade.
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“Educação é investimento”
Na entrevista ao SBT, Lula também relacionou investimento em educação à redução de problemas sociais que, posteriormente, geram despesas maiores para o Estado.
Na visão apresentada pelo presidente, oferecer escola, qualificação profissional e oportunidades amplia as possibilidades de inserção no mercado de trabalho. É nesse contexto que Lula contrapõe o investimento em estudantes aos gastos do sistema prisional.
A relação entre escolaridade e criminalidade, no entanto, não é automática: não ter acesso à educação não significa que uma pessoa cometerá crimes. A fala do presidente apresenta uma defesa política de políticas públicas capazes de ampliar oportunidades antes que situações de vulnerabilidade social se agravem.
Para Lula, sua própria história serve como referência para esse argumento. Com formação profissional de torneiro mecânico, o presidente defende que jovens brasileiros tenham acesso a diferentes caminhos educacionais — do ensino técnico à universidade — e possam transformar a formação em trabalho e renda.
“Educação é investimento, gasto é cadeia”: Lula coloca ensino como prioridade no SBT
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