A Polícia Federal (PF) colocou sob forte suspeita a viabilidade econômica do projeto cinematográfico “Dark Horse“, uma cinebiografia planejada para contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o relatório da investigação, o plano de negócios do filme, que teve financiamento “com possível participação do senador Flávio Nantes Bolsonaro“, apresentava estimativas de faturamento classificadas pelos investigadores como totalmente fora da realidade do mercado audiovisual brasileiro, levantando indícios de que a estrutura teria sido inflada para outros fins.
O documento técnico detalha que o material promocional e de negócios do longa-metragem, elaborado pelo publicitário Thiago Miranda, estipulava três metas de arrecadação global: uma previsão pessimista de US$ 45 milhões, uma conservadora de US$ 70 milhões e um cenário otimista que alcançaria a marca de US$ 100 milhões (cerca de R$ 550 milhões na cotação atual).
Abismo com a realidade nacional
Para embasar o questionamento sobre os números, a PF traçou um comparativo com o histórico do próprio cinema nacional. Os investigadores destacaram que o maior sucesso de bilheteria registrado no país até hoje foi a comédia Minha Mãe é uma Peça 3 (2019), que arrecadou R$ 120 milhões — o equivalente a cerca de US$ 30 milhões na época.
Dessa forma, a meta mais modesta de “Dark Horse” já superaria o atual recorde brasileiro, enquanto o teto de US$ 100 milhões exigiria que a produção triplicasse o maior faturamento da história do país, atingindo patamares restritos a grandes blockbusters de Hollywood. Diante da enorme discrepância, a corporação suspeita que o plano de negócios tenha sido artificialmente superestimado para tentar dar lastro e justificativa econômica a movimentações financeiras atípicas.
Operação Make Up e suposta fachada
A análise do plano de negócios é um dos pilares que sustentam a Operação Make Up, que apura se o projeto do filme serviu, na verdade, como fachada para um esquema de triangulação de capital e desvio de finalidade.
A linha de investigação principal da PF trabalha para esclarecer o fluxo de recursos que abasteceu a produção. Entre os alvos estão o suposto repasse de verbas oriundas de emendas parlamentares controladas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), além de transações milionárias consideradas atípicas que envolvem empresas ligadas à produtora do filme e o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro.
PF: projeção de receita de Dark Horse está totalmente fora da realidade do mercado brasileiro
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!