Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que expôs o elo do clã Bolsonaro com Daniel Vorcaro, Eduardo Bolsonaro anunciou nova ida à Washington, para encontro com representantes do governo Donald Trump, na próxima semana. Ele ainda comparou as eleições no Brasil com o pleito na Colômbia, vendido pelo ultradireitista Abelardo de la Espriella com apoio da Casa Branca.
Ao comentar a crise no Supremo em entrevista a canal bolsonarista na manhã desta sexta-feira (11), Eduardo fez questão de “dar aqui um um furo”.
“Semana que vem estou indo a Washington DC para conversar com algumas pessoas muito interessantes para reanimar, reaver, a possibilidade da gente ter uma Magnitsky contra o Moraes”, anunciou.
Investigação da Polícia Federal sobre o suposto financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, aponta que Eduardo “orientou a gestão dos recursos em solo estrangeiro” para receber os cerca de 24 milhões de dólares de Daniel Vorcaro.
“A autoridade policial levanta a hipótese de que EDUARDO BOLSONARO orientou a gestão dos recursos em solo estrangeiro. Afirma, no ponto, que, no mês de março de 2025, THIAGO MIRANDA informou a DANIEL VORCARO que “Flavio B e Eduardo” pretendiam marcar reunião com ele a respeito do filme. Na sequência, foi encaminhada captura de tela de conversa atribuída a EDUARDO BOLSONARO, com orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos, em que colocou ALTIERIS CHAVES SANTANA, diretor da empresa HAVENGATE DEVELOPMENT FUND GP LLC7, à disposição para operar o esquema”, diz a PF, em parecer do Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, tornado público após Edson Fachin determinar a André Mendonça o fim do sigilo sobre o inquérito.
A PF afirma que “há indícios consistentes da prática das condutas ilícitas narradas, sendo necessário o aprofundamento da investigação para melhor valoração das hipóteses cogitadas, que envolvem potencialmente os delitos de corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de capitais”.
Na entrevista nesta sexta, Eduardo ainda comparou o irmão, Flávio a Espriella, que é acusado de usar a estrutura de Donald Trump para vencer Gustavo Petro nas eleições na Colômbia.
“Eu estava falando com um amigo aqui, por exemplo. Ontem, no Polimarket o Flávio ultrapassou o Lula. Ali o pessoal bota dinheiro comprando papel, então é realmente as pessoas elas têm algum risco a tomar, elas não dão uma opinião de bobeira”, afirmou, sobre a plataforma de previsão de mercado baseada em criptomoedas.
“Até no Polimarket o Flávio ultrapassou o Lula, e isso lembrou muito o movimento da última eleição da Colômbia que elegeu o Abelardo “El Tigre”, o Abelardo de la Espriella, que ultrapassou no segundo turno. O Flávio no primeiro turno já cruzou, então existe uma uma perspectiva muito grande que o Flávio sim, como eu tenho dito tem um tempo já, tem um prognóstico para vencer no primeiro turno”, afirmou Eduardo, comparando com a eleição colombiana.
Quem é Abelardo de la Espriella
Um advogado milionário, de personalidade expansiva e que faz campanha sob o apelido de “El Tigre”, irrompeu na disputa presidencial da Colômbia. Abelardo de la Espriella tirou a direita tradicional da corrida com um discurso antissistema e de desprezo pela esquerda.
Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (22), o jornalista e autor dos livros “Latifúndio Midiota” e “Bolívia nas Ruas e Urnas Contra o Imperialismo”, Leonardo Severo afirmou que Espriella não tem nenhum tipo de ética ou censura ao fazer declarações autoritárias, como afirmar que não terá adversários no Congresso Nacional da Colômbia, mas sim “inimigos”.
“Ele tem quatro filhos norte-americanos e recorreu à nacionalidade norte-americana. Ele defendeu abertamente narcotraficantes, defendeu abertamente estafadores, defendeu abertamente estupradores […] Então, é um cara que não tem limites nem para vender o país, nem para agir em relação ao adversário tratando como inimigo. Acho que a gravidade está aí”, destaca o jornalista, que esteve na Colômbia durante a apuração oficial.
Severo compara de la Espriella com presidentes extremistas Javier Milei, da Argentina, Daniel Noboa, do Equador, Nayib Bukele, de El Salvador e Donald Trump dos Estados Unidos.
“Tenta pensar num cara que é uma mistura, um tipo de um Frankenstein, que junta Milei, Noboa, Bukele e Trump. É uma coisa”, afirma o jornalista.
Confira a entrevista de Leonardo Severo ao Fórum Onze e Meia
Eduardo Bolsonaro anuncia ida a Washington e compara Flávio a Espriella, apoiado por Trump na Colômbia
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